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Campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro protocolam no TSE termo para abrir sigilos dos dois candidatos

O senador Camilo Santana apresentou no TSE um termo em que Lula e Flávio Bolsonaro autorizam a abertura simultânea dos sigilos bancário, fiscal e telefônico. A decisão cabe ao ministro André Mendonça, sem prazo definido.

Redação MNPolítica3 min de leitura
Campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro protocolam no TSE termo para abrir sigilos dos dois candidatos
Foto: Reprodução

As campanhas dos candidatos à Presidência Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) protocolaram nesta quinta-feira (22), no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), um termo em que os dois autorizam a abertura total e simultânea de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico. O prazo informado pelas campanhas para as autorizações é até as 23h59 de hoje.

O que diz o documento

O termo foi apresentado à imprensa pelo senador Camilo Santana (PT-CE), coordenador da campanha de Lula. Segundo o texto, os candidatos "aceitaram integralmente os termos recíprocos do desafio" e autorizam "a abertura total e simultânea dos respectivos sigilos". As quebras abrangem também familiares dos dois e pessoas jurídicas ligadas a eles.

O documento pede ao ministro André Mendonça, relator do caso no TSE, que requisite os dados ao Banco Central, às instituições financeiras, à Receita Federal e às operadoras de telefonia, e que determine a divulgação simultânea em site de acesso público. Não há prazo para que Mendonça decida.

As condições de cada lado

Pelo acordo, a campanha de Flávio aceitou incluir na abertura a empresa Alcazar Holdings, de propriedade do advogado Willer Tomaz, a quem o candidato do PL reconhece como amigo e com quem é alvo de inquérito no Supremo Tribunal Federal por suspeitas de lavagem de dinheiro. As autorizações de Flávio alcançam contas bancárias no Brasil e no exterior.

A campanha de Lula, por sua vez, concordou com as condições impostas por Flávio, entre elas a quebra dos sigilos do ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, e a divulgação dos gastos com cartões corporativos da Presidência e da agenda da primeira-dama, Janja Lula da Silva.

Divergência sobre a entrega

A advogada da campanha de Flávio, Maria Cláudia Bucchianeri, disse que os documentos do candidato já estão reunidos, mas só serão entregues depois de a equipe confirmar que Lula apresentou tudo o que foi estabelecido. O senador eleito Deltan Dallagnol (Novo-PR), que acompanhou o protocolo, afirmou que a campanha de Flávio cumprirá os compromissos até a meia-noite e disse esperar que Lula "não quebre mais uma vez sua promessa". A campanha de Lula defende a entrega simultânea e afirma que não disponibilizará os documentos enquanto Flávio não entregar os seus.

Camilo Santana disse que "é preciso que todos os sigilos sejam levantados hoje" para que o povo brasileiro saiba "quem é ladrão e quem não é".

Como começou

O embate teve início no domingo (18), quando Lula desafiou Flávio, em debate na Band, a divulgar simultaneamente dados bancários e telefônicos. Na terça-feira (20), Lula protocolou no TSE uma autorização para a quebra de seus sigilos e de suas empresas, caso Flávio fizesse o mesmo.

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