Campanha de Lula leva fechamento de consulados dos EUA a ação contra Flávio no TSE
Coligação do presidente pede que a suspensão do atendimento consular americano seja juntada à ação que acusa Flávio e Eduardo Bolsonaro de articular interferência estrangeira. O TSE ainda não decidiu sobre o pedido.

A coligação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pediu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que a suspensão do atendimento presencial nas representações dos Estados Unidos no Brasil seja juntada a uma ação que já move contra o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, e seu irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro. A petição foi protocolada na sexta-feira (2), a dois dias do primeiro turno, marcado para este domingo (4). No documento, a campanha sustenta que o episódio seria mais um capítulo de uma interferência americana na eleição. O pedido ainda não foi analisado pelo tribunal.
O que diz a petição
Segundo a petição, a decisão de suspender os serviços consulares teria partido do secretário de Estado americano, Marco Rubio, a quem a campanha descreve como próximo de Eduardo Bolsonaro. O texto classifica o caso como um "desdobramento gravíssimo da interferência nas eleições brasileiras pelo governo norteamericano", que teria sido articulada, "ao que tudo indica", pelos irmãos Flávio e Eduardo. A própria formulação deixa a autoria como suposição, e a campanha não apresentou, até aqui, prova pública da ligação entre os irmãos e a medida. Os advogados pedem que o fato novo seja incorporado ao processo sem mudar o objeto original da ação.
Junto com a petição, a coligação anexou uma carta enviada a Rubio pelos senadores americanos Jeanne Shaheen, Tim Kaine e Peter Welch. No texto, os parlamentares pedem que o governo de Donald Trump reconheça o resultado certificado da eleição brasileira e manifestam preocupação com as ações de Washington em relação ao Brasil. A carta cita tarifas, sanções e o encontro de Flávio Bolsonaro com Trump na Casa Branca como episódios de um padrão de pressão sobre o país. Caberá ao TSE decidir se os documentos entram ou não no processo.
A ação que já corre no tribunal
A petição foi apresentada dentro de uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE), registrada sob o número 0602222-72.2026.6.00.0000 e aberta em 23 de setembro. O relator é o ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, que responde pela Corregedoria-Geral da Justiça Eleitoral. São alvos Flávio Bolsonaro, seu candidato a vice, o deputado federal Alfredo Gaspar, e Eduardo Bolsonaro. A coligação acusa o grupo de abuso de poder econômico e político e de uso indevido dos meios de comunicação, ligados a uma suposta interferência estrangeira na disputa.
A ação inicial cita a Rockbridge Network, organização conservadora americana que veículos de imprensa associam ao vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, e aponta um possível financiamento da campanha de Flávio a partir do exterior, o que a lei eleitoral brasileira proíbe. Entre os pedidos estão depoimentos, coleta de documentos, quebras de sigilo e, ao final, a cassação do registro da chapa e a declaração de inelegibilidade dos acusados. O PT também levou o tema ao Supremo Tribunal Federal (STF), em petição separada. Nenhuma das acusações foi confirmada pela Justiça até o momento.
O que dizem os citados
Flávio Bolsonaro e sua campanha negam ter recebido dinheiro da Rockbridge ou de qualquer fonte estrangeira e rejeitam a acusação de manipular o debate público. Pedro Sang, empresário apontado na ação como articulador do grupo no Brasil, disse desconhecer qualquer financiamento da organização à campanha. Tallis Gomes, outro nome citado, afirmou ser apenas membro da rede, sem papel na candidatura. Até a publicação desta reportagem, Flávio e Eduardo Bolsonaro não haviam se manifestado publicamente sobre a nova petição que trata dos consulados.
A justificativa dos Estados Unidos
O governo americano atribui a suspensão a questões de segurança e não ligou a medida à eleição. "Estamos trabalhando em estreita colaboração com nossas contrapartes brasileiras para lidar com as preocupações de segurança", declarou o Departamento de Estado, sem detalhar a ameaça. A Polícia Federal informou ter cumprido dois mandados de busca em São Paulo e em Águas Lindas de Goiás contra suspeitos de publicar ameaças nas redes sociais. Segundo a PF, não foram encontrados, até agora, elementos que confirmem os riscos apontados inicialmente.
Como o Ministério da Notícia mostrou, Estados Unidos e Austrália suspenderam na sexta-feira o atendimento presencial em suas embaixadas e consulados no Brasil, alegando motivos de segurança. No caso americano, a medida atinge Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro, Recife e Porto Alegre, vale por tempo indeterminado e cancelou as entrevistas de visto já agendadas. O Itamaraty afirmou não ter sido avisado previamente. A análise do pedido da campanha de Lula fica agora com a Justiça Eleitoral, que não tem prazo definido para responder.
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31/10/2026






