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ELEIÇÕES 2026

Caiado fala em "ditadura da toga" e entidades de imprensa reagem ao fim do debate da Globo

Candidatos que estavam no estúdio culparam Lula, Flávio Bolsonaro e as decisões do TSE e do STF pelo cancelamento. Abert, ANJ e Aner divulgaram nota conjunta em que classificam o episódio como agressão à liberdade de imprensa.

Redação MNPolítica3 min de leitura
Caiado fala em "ditadura da toga" e entidades de imprensa reagem ao fim do debate da Globo
Foto: Ministério da Notícia

O cancelamento do debate presidencial da TV Globo, na noite de quinta-feira (1º), provocou reações de candidatos que já estavam no estúdio e de entidades que representam emissoras, jornais e revistas. O primeiro turno da eleição acontece neste domingo (4).

A emissora suspendeu o programa cerca de uma hora antes do horário previsto, 21h30, depois de receber duas decisões judiciais que alteravam regras acertadas com os partidos. Segundo a Globo, as determinações causaram insegurança jurídica e interferiram na liberdade de organizar o debate.

Caiado culpa Lula e tribunais

O candidato do PSD, Ronaldo Caiado, estava entre os presentes no estúdio quando o cancelamento foi anunciado. Ele dirigiu críticas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Supremo Tribunal Federal (STF).

"É um atentado à democracia brasileira", afirmou Caiado. Ele disse ainda acreditar que as decisões levariam o país a uma "ditadura da toga" e acusou a Justiça de promover a "destruição do processo eleitoral".

O candidato também responsabilizou o presidente Lula (PT), que não compareceu ao debate, pelo desfecho da noite.

Outros candidatos

Romeu Zema (Novo) também criticou as decisões e afirmou que elas tinham o objetivo de favorecer Lula. Augusto Cury (Avante), que igualmente estava na emissora, criticou os candidatos ausentes.

Renan Santos (Missão), incluído no debate por ordem do STF horas antes, afirmou que Lula e Flávio Bolsonaro fugiram mais uma vez do confronto.

Flávio Bolsonaro (PL) havia anunciado mais cedo que não iria ao estúdio. Ele atribuiu a decisão ao que chamou de censura imposta pelo TSE ao evento. Lula, por sua vez, havia optado por conceder entrevista a um podcast no mesmo dia.

Nota das entidades de imprensa

A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), a Associação Nacional de Jornais (ANJ) e a Associação Nacional de Editores de Revistas (Aner) divulgaram nota conjunta de solidariedade à Globo.

No texto, as três entidades manifestam indignação com a mudança de regras combinadas meses antes entre a emissora e os partidos e classificam as intervenções como agressão à liberdade de imprensa. Também sustentam que o cancelamento prejudicou o direito do eleitor de conhecer as propostas dos candidatos que haviam confirmado presença.

O que dizem as decisões

A primeira decisão foi da ministra Estela Aranha, do TSE, atendendo a pedido da campanha de Lula. Ela proibiu a exibição do púlpito vazio identificado com o nome do presidente e vetou perguntas dirigidas ao candidato ausente.

Para a ministra, a regra tinha "aparente intuito de compelir os candidatos a comparecer ao debate, renunciando à facultatividade de participação assegurada em lei".

A segunda veio do ministro Gilmar Mendes, do STF, que mandou incluir Renan Santos. Segundo o ministro, o candidato cumpria o critério do próprio regulamento da emissora para vagas abertas por desistência, com base na pesquisa Quaest, e a autonomia das emissoras na organização de debates deve respeitar o pluralismo político e a igualdade entre os candidatos.

Nas coberturas publicadas até a manhã desta sexta-feira (2), não havia resposta do TSE ou do STF às críticas feitas pelos candidatos e pelas entidades.

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