Brasil registra dois milhões de trabalhadores por aplicativos em 2025
Pesquisa do IBGE aponta que maioria atua por conta própria, mas enfrenta jornadas mais longas e menor rendimento por hora.

O Brasil contabilizou cerca de dois milhões de pessoas ocupadas em trabalhos intermediados por aplicativos em 2025. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística por meio da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua. O levantamento mapeou serviços de transporte de passageiros, entregas de produtos e prestação de serviços gerais. A imensa maioria desses profissionais atua por conta própria no setor privado.
O contingente total de trabalhadores por plataformas digitais representou 1,9 por cento da população ocupada no país. Cerca de 1,2 milhão de pessoas utilizaram aplicativos de transporte de passageiros, o equivalente a quase seis em cada dez plataformizados. As entregas de comida e mercadorias envolveram 376 mil trabalhadores, enquanto a prestação de serviços gerais reuniu 313 mil pessoas. A atividade de transporte, armazenagem e correios concentrou três quartos dessa mão de obra.
O estudo tem caráter experimental e passou por edições anteriores em 2022 e 2024. O indicador que considera apenas quem usa os aplicativos como ocupação principal chegou a 1,8 milhão em 2025. Esse recorte demonstra um crescimento de 9,1 por cento em um ano e de 36,8 por cento em três anos. O perfil predominante é masculino, com idade entre 25 e 39 anos nas funções principais.
Jornadas e rendimentos no setor
O rendimento médio mensal dos trabalhadores por aplicativos ficou em R$ 3.147, patamar semelhante ao dos demais trabalhadores do setor privado. A jornada semanal média dos plataformizados atingiu 44, 7 horas, superando as 39, 3 horas registradas pelos não plataformizados. Essa diferença resulta em um ganho por hora inferior para quem atua com plataformas digitais. Os profissionais de aplicativos receberam R$ 16,2 por hora, enquanto a média geral ficou em R$ 18,4.
A pesquisa também identificou maior vulnerabilidade trabalhista entre os motoristas e entregadores. A taxa de informalidade alcançou 72,1 por cento entre os plataformizados, e apenas 34 por cento possuíam cobertura previdenciária. Entre os trabalhadores que atuam com transporte e entregas, a principal motivação apontada foi a dificuldade de encontrar outra ocupação. A flexibilidade e a expectativa de rendimento maior também figuraram entre os motivos citados.
A proporção de trabalhadores declarados por conta própria chegou a 86,8 por cento do total de plataformizados. O IBGE destacou a existência de dependência em relação às empresas controladoras das ferramentas digitais. A maioria dos motoristas e entregadores afirmou que o valor recebido e os prazos dependem inteiramente das plataformas. A Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia contestou os dados e apontou limitações metodológicas na pesquisa oficial.
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31/10/2026






