B3 aciona circuit breaker pela primeira vez desde 2020 e suspende negociações por 30 minutos após queda de 10% do Ibovespa
A Bolsa brasileira interrompeu as negociações por 30 minutos no primeiro pregão após a reeleição de Lula. É a primeira vez que o mecanismo é acionado desde março de 2020, na pandemia.

A B3 acionou o circuit breaker nesta segunda-feira (26) e suspendeu as negociações por 30 minutos, depois que o Ibovespa caiu 10% em relação ao fechamento anterior. A interrupção ocorreu no primeiro pregão após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno, realizado no domingo (25). É a primeira vez que o mecanismo é usado desde março de 2020, no início da pandemia de covid-19.
Como foi a suspensão
Em comunicado, a B3 afirmou que o circuit breaker "é um procedimento operacional previsto para momentos de forte queda do mercado" e que usa como referência a variação do Ibovespa. A suspensão atingiu a compra e venda de ações, de fundos negociados em bolsa e de outros ativos. A bolsa informou que as operações seriam retomadas por meio de um leilão entre 10h30 e 10h35 (horário de Brasília).
Pelas regras do mecanismo, se o índice voltar a cair e chegar a 15% de baixa, a nova interrupção dura uma hora. Se o recuo atingir 20%, cabe à própria B3 definir o tempo de suspensão.
Dólar e juros
O dólar chegou a subir 12,52% e foi negociado a R$ 5,605 às 9h30. Por volta das 10h20, a alta era de 12,04%, a R$ 5,597. Na sexta-feira (23), a moeda havia fechado a R$ 4,993, com queda de 0,90%. As taxas dos contratos de depósito interfinanceiro, que refletem a expectativa do mercado para os juros futuros, avançavam até 260 pontos-base.
Na sexta-feira, o Ibovespa havia subido 0,47% e fechado a 205.082,56 pontos. Nas semanas anteriores à votação, o índice chegou perto dos 209 mil pontos.
O que dizem os analistas
Gabriel Uarian, analista-chefe da Cultura Capital, afirmou que o movimento já havia sido antecipado por ativos brasileiros negociados no exterior durante a noite. Segundo ele, o cenário combina "desfazimento de posições, reprecificação de risco país e baixa liquidez imediata".
Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, avaliou que a reação reflete dúvidas sobre a condução das contas públicas no próximo mandato. Para ele, "o principal problema não é simplesmente o resultado eleitoral, mas a incerteza sobre a condução das contas públicas".
A queda desta segunda-feira reverte ganhos registrados depois do primeiro turno, quando a Bolsa subiu após Flávio Bolsonaro terminar na liderança, com 47,03% dos votos válidos, ante 45,16% de Lula. No segundo turno, com 100% das urnas apuradas, Lula teve 51,79% dos votos válidos e Flávio, 48,21%.
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31/10/2026






