Vučić admite derrota na eleição parlamentar da Sérvia para a Lista dos Estudantes
O presidente sérvio, Aleksandar Vučić, reconheceu neste domingo que seu partido perdeu a eleição parlamentar para o movimento liderado por estudantes. Multidões foram às ruas de Belgrado para comemorar.

O presidente da Sérvia, Aleksandar Vučić, admitiu neste domingo (25) a derrota de seu partido na eleição parlamentar do país. A disputa colocou o Partido Progressista Sérvio (SNS), de direita, contra um movimento de oposição diversificado, liderado por estudantes, que protesta contra o governo há dois anos.
O que disse Vučić
Em evento da noite eleitoral do SNS, Vučić afirmou que "a Lista dos Estudantes venceu". Segundo ele, o partido projeta que a lista de oposição, apoiada pela juventude, ficará com entre 135 e 140 das 250 cadeiras do Parlamento, enquanto o SNS terá cerca de 105.
O presidente disse ainda que o SNS recebeu cerca de 1,7 milhão de votos, contra cerca de 2,2 milhões da Lista dos Estudantes. Ele atribuiu parte da derrota à imprensa independente do país e alegou interferência de países europeus que não identificou e de um "Estado profundo americano". Os números são da própria projeção de Vučić.
Reação nas ruas
O resultado foi anunciado cerca de uma hora e meia depois do fechamento das urnas, após um dia de votação com aumento das tensões. Os 6,4 milhões de eleitores sérvios escolhiam os deputados do Parlamento de 250 assentos.
Logo depois do anúncio, multidões tomaram as ruas de Belgrado e de outras cidades. Apoiadores da Lista dos Estudantes percorreram a capital em carreatas com buzinaço, cantando e entoando "Aleksandar já era". Grupos também desmontaram cercas e tendas de um parque no centro de Belgrado onde apoiadores de Vučić estavam acampados havia mais de um ano.
Antes do resultado, policiais com equipamento de choque isolaram uma área no centro da capital, ao redor da sede da comissão eleitoral. Havia também grandes grupos de homens vestidos de preto reunidos em vários pontos da cidade.
Contexto
Vučić governava a Sérvia com poder praticamente absoluto por 14 anos e tinha o apoio do presidente russo, Vladimir Putin. Ele classificava o movimento estudantil como uma tentativa orquestrada do exterior de derrubá-lo. Os estudantes acusam o governo de corrupção e de desmontar a democracia.
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