Ucrânia amplia evacuação obrigatória de famílias com crianças em Kramatorsk e Sloviansk
As autoridades da região de Donetsk estenderam a retirada a todas as localidades das duas aglomerações urbanas, os últimos grandes redutos ucranianos na área, com tropas russas a 8 a 24 km.

As autoridades ucranianas ordenaram nesta quinta-feira (22) a retirada obrigatória de famílias com crianças de Kramatorsk e Sloviansk, dois dos principais centros urbanos ainda sob controle de Kiev na região de Donetsk, no leste do país. As duas cidades são os últimos grandes redutos ucranianos na região, que Moscou reivindica como parte de seu território.
A decisão
"Vamos ampliar a zona de evacuação obrigatória para famílias com filhos, abrangendo agora todas as localidades das aglomerações de Kramatorsk e Sloviansk", anunciou no Telegram o governador regional, Vadim Filashkin. Ele não informou quantas pessoas serão afetadas. Autoridades locais já haviam determinado a retirada de partes das duas aglomerações.
Segundo Filashkin, a situação de segurança continua se deteriorando, e as forças russas atacam as cidades diariamente. "Permanecer lá com crianças representa um risco injustificável", afirmou. As tropas russas avançam há meses e estão a cerca de 8 a 24 quilômetros das áreas, segundo as distâncias informadas pelas autoridades.
Ataques recentes
Na terça-feira (20), quatro pessoas morreram em um ataque russo contra Kramatorsk. Duas semanas antes, outras 30 morreram em um ataque contra dois ônibus na mesma cidade. Em meados de outubro, uma autoridade local, Yulia Rijakova, informou que mais de 70 mil pessoas permaneciam nas áreas da região de Donetsk controladas por Kiev.
Negociações
A ordem foi dada poucas horas depois de uma reunião, na quarta-feira (21), em São Petersburgo, entre o presidente russo, Vladimir Putin, e o enviado especial americano Steve Witkoff. Após o encontro, a Rússia anunciou estar pronta para retomar as negociações com os Estados Unidos e a Ucrânia em novembro. O assessor do Kremlin Yuri Ushakov disse que os contatos poderiam ocorrer em meados do mês, com foco no reforço da segurança após o fim do conflito. Também na quarta, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, propôs "congelar" a linha de frente como primeiro passo para um cessar-fogo.
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