Trump ameaça usar força militar na América Latina durante discurso na ONU
Presidente americano citou ações na Venezuela e comparou cartéis de drogas a grupos terroristas na Assembleia Geral

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a ameaçar o uso de força militar em países da América Latina e do Caribe para garantir os interesses da Casa Branca na região. A declaração ocorreu durante um discurso de quase quarenta minutos na sede das Nações Unidas, em Nova York, realizado nesta terça-feira. Trump participou da abertura da oitentagésima primeira Assembleia Geral da organização e discursou logo após o pronunciamento do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva. O líder norte-americano afirmou que as ações recentes na Venezuela provam que o país não permitirá ameaças no Hemisfério Ocidental. Segundo o mandatário, o poderio militar inigualável será usado para assegurar os interesses vitais norte-americanos sempre que necessário. A fala incluiu menções diretas à invasão da Venezuela ocorrida em janeiro deste ano e ao acordo petroleiro firmado com a presidente encarregada Delcy Rodríguez. Trump comemorou a parceria que garante o controle de até vinte e um por cento do petróleo venezuelano a uma empresa ligada ao Pentágono. A intervenção ocorreu sob a alegação de combate ao narcotráfico, embora o Departamento de Justiça dos Estados Unidos tenha retirado posteriormente a acusação de liderança de cartel contra o ex-presidente Nicolás Maduro. Na semana passada, o governo americano retirou a Venezuela de uma lista de países inaptos no combate às drogas onde o território figurava desde dois mil e cinco. A delegação de Cuba se retirou do plenário durante o pronunciamento norte-americano em sinal de protesto após novas ameaças direcionadas à ilha caribenha.
Comparações com terrorismo e pressões regionais Trump também comparou os cartéis de drogas latino-americanos ao grupo terrorista Estado Islâmico, reforçando justificativas para o acionamento das Forças Armadas estrangeiras na região. O presidente norte-americano mencionou o México ao avaliar que o país vizinho é o epicentro da violência dos cartéis e exigiu que o governo de Claudia Sheinbaum retome o controle de seu território. A mandatária mexicana tem elevado o tom contra medidas consideradas de ingerência e defende que o combate ao narcotráfico não sirva de desculpa para intervenções externas. Antes da participação de Trump, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a pressão exercida sobre a América Latina e o Caribe por causa da proximidade com potências militares. Lula destacou que o Brasil não cabe no quintal de ninguém e resgatou denúncias de ingerências externas em processos eleitorais na região. O secretário-geral da ONU também aproveitou o evento para emitir alertas sobre o avanço global de conflitos armados e os riscos associados ao uso de inteligência artificial. Analistas internacionais alertam que a retórica da Casa Branca pode abrir caminho para novas interferências na política interna de nações latino-americanas.
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