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SURTO EM IRKUTSK

Rússia mantém quarentena e observa cerca de 200 pessoas; versão oficial é pneumonia de causa indefinida

Hospital de Shelekhov segue em quarentena e cerca de 200 contatos de Darya Shipilova estão sob observação. Moscou fala em pneumonia sem causa definida, enquanto vizinhos reforçam o controle sanitário nas fronteiras.

Redação MNMundo4 min de leitura
Rússia mantém quarentena e observa cerca de 200 pessoas; versão oficial é pneumonia de causa indefinida
Foto: Ministério da Notícia

O governo russo sustenta que a morte de Darya Shipilova, de 28 anos, funcionária do Instituto Antipeste de Irkutsk, na Sibéria, foi causada por uma pneumonia de etiologia não estabelecida. Enquanto isso, a ala de internação do hospital distrital de Shelekhov segue em quarentena e cerca de 200 pessoas que tiveram contato com ela permanecem sob vigilância médica. Países vizinhos reforçaram o controle sanitário nas fronteiras com a Rússia.

O que dizem as autoridades

Shipilova foi internada em 29 de setembro e morreu na madrugada de 2 de outubro. Segundo as autoridades regionais, cerca de 200 pessoas foram identificadas como expostas e levadas a unidades de saúde para observação. Até agora, nenhuma delas apresentou sintomas, e os exames divulgados deram resultado negativo para peste.

A agência sanitária Rospotrebnadzor informou que, entre os contatos já testados, foram encontrados dois casos de Covid-19 e dois de rinovírus, e nenhum outro agente de infecção perigosa. O órgão também afirmou que não foram detectados no corpo da funcionária microrganismos ligados à sua atividade profissional e negou que tenha havido acidente no laboratório. O governador de Irkutsk, Igor Kobzev, repetiu a classificação de pneumonia de origem indeterminada. O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, pediu que a população não dê ouvidos a boatos e especulações.

Nos primeiros dias, porém, o discurso foi outro. Logo após a morte, Kobzev falou em caso suspeito de infecção especialmente perigosa, e a chefe do órgão sanitário federal, Anna Popova, participou de reunião de emergência na região. Relatos da imprensa russa citaram peste pneumônica e uma suposta quebra de tubo de ensaio com a bactéria em 25 de setembro, versão que as autoridades negam e que não foi confirmada de forma independente.

Fronteiras e acompanhamento internacional

Segundo informações divulgadas em 5 de outubro, o Quirguistão determinou reforço do controle sanitário em todos os pontos de passagem, o Uzbequistão anunciou medidas para impedir a entrada e a propagação de infecções altamente perigosas, o Cazaquistão intensificou a fiscalização na divisa com a Rússia e a Mongólia reforçou o monitoramento nas áreas de fronteira.

A Organização Mundial da Saúde disse estar em contato com as autoridades russas e avaliou o risco como moderado a baixo para Irkutsk, baixo para o conjunto da Rússia e muito baixo para a região europeia. Moscou informou à entidade que não há casos entre os contatos da pesquisadora. O Centro de Controle e Prevenção de Doenças americano declarou não haver indício de ameaça mais ampla ao país, e o secretário de Estado americano, Marco Rubio, disse que o governo observa a situação de perto.

O que é a peste pneumônica

A peste é causada pela bactéria Yersinia pestis. Na forma pneumônica, a infecção atinge os pulmões e pode passar de pessoa a pessoa por gotículas respiratórias, ao contrário da forma bubônica, mais comum, transmitida por pulgas de roedores. Os sintomas incluem falta de ar, tosse com sangue e febre, e o período de incubação pode ser de apenas um dia. Sem tratamento, é quase sempre fatal. Quando identificada cedo, responde a antibióticos.

Especialistas ouvidos sobre o caso consideram muito remoto o risco de uma epidemia, porque as cadeias de transmissão tendem a ser curtas e os antibióticos modernos são eficazes. Isso vale, sobretudo, para países com saneamento e acesso a medicamentos.

O que ainda não se sabe

Não há confirmação pública do agente que causou a pneumonia, nem de que tenha havido acidente de laboratório, e a divergência entre os primeiros relatos e a versão atual segue sem esclarecimento. Também não foram divulgados os resultados de todos os contatos. A hipótese de peste pneumônica, portanto, continua sem confirmação oficial, e as autoridades russas negam que ela se aplique ao caso.

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