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Reunião de chanceleres do G20 termina sem comunicado conjunto, com divergências sobre a guerra na Ucrânia

Os chanceleres das 20 maiores economias encerraram dois dias de negociações em Atlanta sem consenso. Em vez de comunicado conjunto, haverá uma declaração do presidente da reunião, a cargo do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio.

Redação MNMundo3 min de leitura
Reunião de chanceleres do G20 termina sem comunicado conjunto, com divergências sobre a guerra na Ucrânia
Foto: Reprodução

Os principais diplomatas do G20, grupo das 20 maiores economias do mundo, encerraram neste sábado (31), em Atlanta, nos Estados Unidos, dois dias de negociações sem chegar a consenso sobre várias questões críticas de segurança global. As divergências, principalmente em torno da guerra da Rússia contra a Ucrânia, ofuscaram o início do encontro.

Declaração do presidente no lugar de comunicado

Como consequência, o grupo não divulgará um comunicado conjunto. No lugar dele, será publicada uma declaração do presidente da reunião resumindo as negociações. Segundo diplomatas presentes, o documento deve ser divulgado pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, ao fim do encontro. Esses diplomatas, que falaram sob condição de anonimato por não estarem autorizados a comentar conversas fechadas, afirmam que a declaração já estava planejada havia tempo, por causa das profundas diferenças entre os participantes.

Foto de grupo cancelada

Rubio abriu as negociações com um apelo à unidade. Na sexta-feira (30), cancelou a tradicional foto de grupo dos ministros das Relações Exteriores, depois que diplomatas europeus se opuseram à inclusão do chanceler russo, Sergey Lavrov, e ameaçaram boicotar ou deixar o registro.

O chanceler da Polônia, Radosław Sikorski, que participou pela primeira vez como convidado de uma reunião do G20, disse na sexta que não ficou surpreso com a falta de consenso. "Temos guerras em curso, e temos participantes nessas guerras à mesa de negociações, por isso é muito difícil chegar a um consenso", afirmou aos jornalistas.

Os pontos de divergência

De acordo com os diplomatas, a sessão de abertura foi cordial, mas a posição da Rússia sobre a Ucrânia é inflexível, assim como sua oposição à entrada da Polônia no G20. As diferenças incluem ainda a decisão do governo de Donald Trump de não convidar a África do Sul, que é membro do grupo, a guerra de EUA e Israel contra o Irã, as tarifas americanas e os movimentos da China no Mar da China Meridional. Esses fatores contribuem para a alta global do custo dos combustíveis e para a incerteza no comércio.

Lavrov afirmou que Moscou não aceitará uma situação em que a Ucrânia represente uma "ameaça militar aos legítimos interesses de segurança da Federação Russa".

Na sexta, o Departamento de Estado anunciou a aprovação de uma proposta de venda de interceptadores de defesa aérea Patriot à Ucrânia, no valor de US$ 2,1 bilhões.

Próximo passo

Segundo os diplomatas, todos concordaram em tentar superar as diferenças e em trabalhar para que a cúpula de líderes do G20 do mês que vem, organizada por Trump na Flórida, seja bem-sucedida. Ainda não se sabe se o presidente russo, Vladimir Putin, aceitará o convite para participar.

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