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ONDA DE PROTESTOS NA EUROPA

Protestos de jovens na Alemanha têm saques a lojas em Frankfurt e barricadas incendiadas em Hamburgo

Manifestações do movimento "Gen Z regelt" reuniram até 18 mil pessoas segundo a polícia, e a noite terminou com lojas saqueadas em Frankfurt. Autoridades dizem que extremistas tentaram se aproveitar dos atos.

Redação MNMundo3 min de leitura
Protestos de jovens na Alemanha têm saques a lojas em Frankfurt e barricadas incendiadas em Hamburgo
Foto: Reprodução

Manifestantes encapuzados saquearam lojas em Frankfurt, na Alemanha, neste sábado (31), depois que dezenas de milhares de pessoas foram às ruas para exigir melhorias na educação e redução do custo de vida. Os atos foram convocados pelo movimento "Gen Z regelt" ("a geração Z assume o controle", em tradução livre) e aconteceram em 34 cidades, entre elas Berlim, Frankfurt e Munique.

Violência em Frankfurt e Hamburgo

Na capital financeira do país, ao menos duas lojas foram saqueadas, e outros estabelecimentos tiveram vitrines quebradas. A polícia de Frankfurt informou, em publicação na rede X, que "os distúrbios violentos continuam" e que coquetéis molotov estavam sendo lançados contra os serviços de emergência. A corporação pediu que a população evitasse o centro da cidade. Em Hamburgo, algumas barricadas foram incendiadas.

Comerciantes de várias cidades instalaram tapumes nas vitrines e fecharam mais cedo por receio de distúrbios, inclusive na Kurfürstendamm, avenida de compras de luxo de Berlim.

Público menor que o esperado

Números divulgados na tarde de sábado indicavam participação abaixo dos 182 mil inscritos esperados pelos organizadores. As polícias de Frankfurt, Munique e Berlim contabilizaram até 18 mil manifestantes, metade dos cerca de 36 mil informados no site do movimento.

Reivindicações e reação do governo

O grupo diz ser contrário ao serviço militar obrigatório e defende mais investimentos em saúde e educação. "O que mais importa para nós é um apoio maior aos sistemas de saúde e educação. Somos contra o serviço militar obrigatório e defendemos uma distribuição mais justa dos encargos", disse a porta-voz Lina Friedrich, em Berlim. Em Munique, um manifestante de 18 anos, identificado como Steve, criticou o governo do chanceler Friedrich Merz: "A única resposta do governo às nossas preocupações foi continuar promovendo cortes e colocando ainda mais encargos sobre nós".

As autoridades alemãs afirmaram que os atos foram, em sua maioria, pacíficos, mas alertaram para tentativas de grupos extremistas de se aproveitar da mobilização. O Ministério Federal do Interior disse que setores da extrema esquerda e grupos ligados a movimentos extremistas de outros países se juntaram aos protestos. O ministro do Interior do estado de Hesse, cuja capital é Frankfurt, Roman Poseck, afirmou: "Todos temos na memória aquelas imagens da França: saques, casas incendiadas, veículos policiais queimados e ataques a policiais. A França não deve ser apresentada como um exemplo nesse sentido."

Contexto

Os protestos alemães ocorrem em meio a uma onda de manifestações lideradas por jovens em países europeus. Na França, os atos contra o custo de vida e as condições da educação também registraram confrontos. A Alemanha enfrenta dificuldades para retomar o crescimento econômico e pressão sobre a previdência e os serviços públicos, com a aposentadoria da geração baby boomer. Há questionamentos sobre quem está por trás da campanha e se ela é de fato liderada por jovens, diante da diversidade de grupos políticos e organizações envolvidos.

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