Premiê da França pede toques de recolher parciais após fim de semana de violência nos protestos
O primeiro-ministro Sébastien Lecornu pediu aos prefeitos que adotem toques de recolher parciais em áreas urbanas e não descartou decretar estado de emergência. Manifestantes voltaram às ruas nesta segunda-feira (19) e bloquearam o acesso ao Louvre.

O primeiro-ministro da França, Sébastien Lecornu, disse nesta segunda-feira (19) que pediu aos prefeitos que implementem "uma série de toques de recolher parciais" em determinadas áreas urbanas. A medida responde aos episódios de violência registrados durante o fim de semana, em protestos realizados em todo o país.
O que disse o governo
Durante uma reunião de crise, Lecornu atribuiu os distúrbios à extrema esquerda e a criminosos. Ele afirmou que "não se pode permitir que se instalem" os saques e as pilhagens. O premiê acrescentou que o governo poderá decretar estado de emergência, se necessário, mas considerou que os toques de recolher parecem, neste momento, uma resposta mais adequada à situação.
Segundo Lecornu, o Ministério do Interior divulgará ao longo da tarde um "mapeamento bastante preciso" das zonas afetadas.
Manifestantes voltam às ruas
Na manhã desta segunda, manifestantes bloquearam o acesso ao Louvre, em Paris, em apoio ao movimento estudantil e para denunciar "a repressão policial".
Os protestos, que começaram no fim de setembro em escolas de ensino médio nos arredores de Paris, reúnem estudantes insatisfeitos com a falta de professores e com problemas estruturais da rede pública. O movimento chegou depois às universidades e a sindicatos.
Balanço da violência
O Ministério do Interior informou no domingo (18) que 2.397 pessoas foram detidas e que 997 policiais ficaram feridos, sete deles com gravidade, nos protestos de sábado. Centenas de estabelecimentos comerciais foram saqueados, e prédios públicos sofreram danos graves. A polícia usou gás lacrimogêneo e jatos de água contra manifestantes, que lançaram objetos e dispararam fogos de artifício. A maior parte das manifestações foi pacífica.
Reações
O presidente Emmanuel Macron fez um pronunciamento na TV no domingo. "Nada justifica, nada explica e nada desculpa a violência", afirmou. Ele disse que quem saqueou terá de pagar pelos danos e que os que tentaram derrubar a República serão responsabilizados, mas pediu que os responsáveis pelos distúrbios não sejam confundidos com as centenas de milhares de pessoas que protestaram de forma pacífica.
A Comissão Europeia condenou os "inaceitáveis incêndios criminosos, saques e ataques a pessoas ou prédios públicos" e ressaltou que o direito a protestos pacíficos é "fundamental e deve ser protegido".
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