Policiais militares vão a júri popular catorze anos após morte de advogado
Julgamento em Goiânia avalia a responsabilidade de três réus pela morte de Davi Sebba, baleado em um estacionamento em 2012.

O Tribunal do Júri em Goiânia iniciou nesta quinta-feira o julgamento de três réus acusados pela morte do advogado Davi Sebba, ocorrida em 5 de julho de 2012. Foram necessários 5.202 dias de tramitação judicial e diversos recursos das defesas até que a sessão fosse marcada. A expectativa é que o julgamento se estenda até amanhã na capital goiana.
Os réus do processo são o ex-policial militar Jonathas Atenevir Jordão e os agentes Edinailton Pereira de Souza e Luiz Frederico de Oliveira. Na época do crime, Davi Sebba tinha 38 anos e foi atingido por um tiro no peito no estacionamento de um supermercado. O advogado havia saído de casa para comprar fraldas para o filho, que nasceu duas horas após o óbito, enquanto a esposa estava internada em uma maternidade.
A versão apresentada pela Polícia Militar na época indicava que os agentes realizavam uma abordagem após informações sobre uma suposta compra de drogas. Em depoimento, o ex-policial Jonathas Atenevir afirmou que efetuou um único disparo após o advogado pegar um objeto que seria uma arma. Contudo, relatórios da investigação apontaram divergências e concluíram que a vítima não teve chance de reação.
As autoridades indicaram que a arma encontrada no veículo foi colocada pelos policiais e que a cena do crime foi alterada com a remoção de objetos e estojos de munição. A perícia não encontrou pólvora nas mãos de Davi Sebba nem impressões digitais na arma. Dados telefônicos também revelaram que dois dos policiais conversaram dez vezes durante a ação no supermercado.
Mobilização e repercussão do caso
Ao longo de mais de uma década de espera por respostas judiciais, familiares e amigos intensificaram a cobrança por justiça. A família espalhou quinze outdoors por Goiânia com a imagem do advogado e criou um perfil nas redes sociais para manter a memória do caso viva. Em 2023, a Justiça determinou que os acusados fossem julgados pelo Conselho de Sentença após uma série de recursos.
A Ordem dos Advogados do Brasil em Goiás informou que acompanha o julgamento de forma presencial por meio de seus departamentos de prerrogativas e de defesa do tribunal do júri. O Conselho Nacional de Direitos Humanos também repudiou o caso e criticou a tentativa de estigmatizar e criminalizar a vítima para justificar a violência estatal.
A próxima etapa do processo depende do veredito do Conselho de Sentença, que definirá a autoria e as responsabilidades penais dos três policiais militares envolvidos no crime.
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