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APOSTAS ILEGAIS

Polícia prende três por golpe de apostas com 10 milhões de vítimas

Ação mira plataformas clandestinas e bloqueia até R$ 154 milhões após queixas de calote em prêmios registradas por consumidores.

Redação MNSegurança2 min de leitura
Polícia prende três por golpe de apostas com 10 milhões de vítimas
Foto: Ministério da Notícia

A Polícia Civil de São Paulo prendeu três suspeitos de operar plataformas clandestinas de apostas durante a Operação Disque 151. Os mandados de prisão temporária foram cumpridos na capital paulista e em Mogi das Cruzes, na Região Metropolitana. A investigação aponta que o esquema causou prejuízos a cerca de 10 milhões de vítimas. Além das prisões, os agentes executaram seis ordens de busca e apreensão.

A Justiça autorizou o bloqueio de bens e valores vinculados a seis pessoas físicas e cinco empresas, quantia que pode atingir R$ 154 milhões. O rastreamento financeiro identificou cerca de 38,5 milhões de operações bancárias realizadas pelo grupo. Em apenas seis meses de movimentação financeira monitorada, os investigadores conseguiram mapear o fluxo de R$ 14 milhões.

As apurações começaram após o aumento expressivo de reclamações de consumidores no Procon-SP, voltadas sobretudo para a falta de pagamento de prêmios. A apuração inicial localizou fraudes executadas por meio de duas plataformas: FortuneSlots e ThinkTV. O Grupo de Atuação Especial de Repressão aos Delitos Econômicos (Gedec), do Ministério Público de São Paulo, também atuou na identificação dos padrões repetidos de irregularidade.

Esquema usava contas ocultas

O trabalho policial durou dois anos sob sigilo, conduzido pela 3ª Delegacia de Investigações sobre Fraudes Financeiras e Econômicas (DIG), ligada ao Deic. O delegado titular Fernando David de Melo Gonçalves explicou que quebras de sigilo bancário, fiscal e telemático permitiram localizar duas contas-bolsão sem titularidade definida. O dinheiro depositado por apostadores entrava nessas contas e era imediatamente pulverizado para dificultar o rastreamento, até chegar a sócios ocultos e beneficiários do esquema de lavagem.

A ofensiva policial ocorre em meio a mudanças na regulação desse mercado no país. No fim de setembro, o governo federal publicou uma medida provisória que proíbe a exploração, oferta, intermediação e publicidade de bets no Brasil. A restrição federal alcança apostas esportivas e jogos virtuais, englobando também autorizações emitidas por estados e pelo Distrito Federal.

A operação policial segue em andamento no território paulista para aprofundar a apuração sobre as perdas causadas pelo esquema criminoso. Os investigadores trabalham para recolher dados sobre novas vítimas lesadas pelas duas plataformas e verificar a participação de outros núcleos operacionais. Os bens e documentos apreendidos durante os mandados serão periciados para instruir o inquérito.

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