Polícia Civil conclui inquérito e aponta excesso de velocidade em acidente
Colisão entre carreta e micro-ônibus da saúde deixou 23 mortos no Paraná em agosto, e investigação sugere o arquivamento do caso

A Polícia Civil do Paraná concluiu nesta quarta-feira o inquérito policial sobre o grave acidente envolvendo um micro-ônibus da saúde e uma carreta. A colisão frontal ocorreu na BR-373, no município de Imbituva, situado na região Central do estado paranaense. O trágico evento resultou na morte de 23 pessoas e deixou outras cinco feridas na data de 19 de agosto. A investigação apontou que ambos os veículos envolvidos no impacto trafegavam em velocidade superior ao limite permitido para a via. Os exames toxicológicos realizados nos dois condutores apresentaram resultado negativo para a presença de álcool e de outras substâncias. Como os dois motoristas faleceram no local da ocorrência, a corporação policial sugeriu formalmente o arquivamento do procedimento investigativo.
A delegada Ingrid Priotto conduziu a apuração dos fatos e detalhou os laudos técnicos obtidos durante o processo. Não foi possível aferir a velocidade exata do caminhão pelo cronotacógrafo porque o equipamento estava com a aferição vencida e sem o registro correto. No entanto, a polícia teve acesso aos relatórios do rastreador do veículo fornecidos pela empresa transportadora responsável. Os dados indicam que o caminhão trafegava a 80 quilômetros por hora em momento anterior ao impacto, superando o limite de 60 quilômetros por hora estabelecido para a rodovia. A perícia técnica também identificou problemas de desgaste no sistema de freios do caminhão que poderiam reduzir a eficiência da frenagem.
A investigação apurou ainda que o motorista do caminhão acessou o aplicativo WhatsApp cerca de 17 minutos antes da colisão. A polícia considera plausível a hipótese de que ele tenha se distraído com o aparelho telefônico no momento do acidente, embora a confirmação exata não tenha sido possível. Em relação ao micro-ônibus da Secretaria de Saúde de Imbituva, a perícia conseguiu recuperar os dados de velocidade apesar da destruição parcial do veículo. A Polícia Científica trabalhou em conjunto com a fabricante para extrair as informações que comprovaram que o ônibus estava a 101 quilômetros por hora. Um dos passageiros sobreviventes relatou à polícia que o motorista do micro-ônibus havia saído com cerca de 20 minutos de atraso e conduzia o veículo de forma apressada.
Perícia detalha falhas mecânicas e excesso de velocidade
O conjunto de fatores levantados pela Polícia Civil demonstra uma sucessão de irregularidades e circunstâncias que culminaram no desastre na rodovia federal. O excesso de velocidade de ambos os veículos somou-se às condições mecânicas desfavoráveis identificadas no caminhão durante a análise pericial. A combinação desses elementos técnicos com a possível distração ao volante formou o cenário do acidente. A delegada responsável destacou que todas as hipóteses foram verificadas por meio de laudos da Polícia Rodoviária Federal e da Polícia Científica. Os dados telemáticos e os depoimentos de sobreviventes fundamentaram as conclusões apresentadas pela corporação.
A tragédia gerou grande comoção na região e mobilizou equipes de resgate e segurança logo após o impacto frontal na BR-373. O transporte de pacientes realizado pela secretaria municipal passou a ser avaliado à luz das circunstâncias relatadas pelos sobreviventes sobre o horário de partida. A investigação policial foi encerrada com a remessa dos documentos e laudos para os órgãos competentes do poder judiciário estadual. Com o sugerido arquivamento devido à morte dos condutores, o processo legal atinge sua etapa final na esfera policial. As famílias das vítimas e os feridos recebem acompanhamento enquanto o caso é formalmente encerrado pelas autoridades do estado do Paraná.
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