Pesquisa revela que maioria dos brasileiros rejeita uso de celular por bebês
Estudo do Instituto Locomotiva mostra que 82% dos adultos são contrários a aparelhos para crianças de até três anos.
Imagem ilustrativa. Uma criança pequena deitada em uma cama e brincando com um tablet
Uma nova pesquisa divulgada nesta sexta-feira revelou que a grande maioria dos adultos brasileiros desaprova o uso de telefones celulares por crianças pequenas. O levantamento foi realizado pelo Instituto Locomotiva e traz dados sobre o comportamento infantil diante das telas. A divulgação ocorreu justamente às vésperas do Dia das Crianças, comemorado em 12 de outubro. O trabalho de campo ouviu 1.367 homens e mulheres de 18 anos ou mais em todo o país.
Os números mostram que 82% dos entrevistados são contrários a que bebês de até três anos de idade fiquem diante de celulares, enquanto apenas 15% apoiam essa exposição. Para a faixa etária de quatro a sete anos, a oposição dos adultos permanece alta e chega a 75%. Quando o assunto é possuir o próprio aparelho, 52% dos participantes aceitam que a criança ganhe um telefone até os 12 anos de idade. Em contrapartida, a fatia favorável sobe para 88% quando se trata de adolescentes entre 13 e 17 anos.
A pesquisa também mapeou a percepção dos adultos sobre as atividades tradicionais da infância e o comportamento atual. A grande maioria, formada por 83% dos entrevistados, avalia que as crianças de hoje perderam o hábito de brincar na rua e preferem passar o tempo diante de telas. Ao mesmo tempo, 73% defendem que as brincadeiras ao ar livre são mais benéficas para o desenvolvimento do que o uso de dispositivos eletrônicos. No cenário regulatório, o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente passou a valer neste ano com exigências rígidas de supervisão parental.
Novas regras de proteção digital
O ECA Digital estabelece que menores de até 16 anos só podem acessar redes sociais se a conta estiver vinculada à de um responsável legal. A medida busca criar um ambiente online mais seguro para o público infantojuvenil no Brasil. O governo federal publicou no ano passado um guia com recomendações específicas sobre o uso de dispositivos digitais. Entre as diretrizes oficiais, há a orientação de que crianças com menos de dois anos não tenham nenhuma exposição a telas, exceto para chamadas de vídeo com familiares. Dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística apontam que houve queda no percentual de meninos e meninas de 10 a 13 anos com aparelho próprio.
O levantamento do Instituto Locomotiva abordou ainda a percepção sobre igualdade nas atividades recreativas da infância. A maioria da população, representada por 63%, acredita que as brincadeiras não deveriam ter distinção de gênero. O presidente da entidade, Renato Meirelles, destacou que essa visão já conquistou espaço na sociedade brasileira. Contudo, o executivo ressaltou que o principal desafio atual é transformar esse entendimento em práticas cotidianas, visto que os preconceitos ainda persistem em vários lares.
Os dados detalham que 36% dos entrevistados acham errado que meninos brinquem de boneca e que meninas utilizem carrinhos. A reprovação a essa troca de papéis é significativamente maior entre os homens, alcançando 46% das respostas masculinas. Entre as mulheres, a rejeição a esse tipo de brincadeira cai para 27%. A coleta das informações que compõeu o estudo foi realizada entre 28 de setembro e 6 de outubro.
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