Parlamento da Polônia aprova dois projetos para flexibilizar o acesso ao aborto, mas veto presidencial é possível
Os deputados poloneses aprovaram duas propostas, uma que descriminaliza parcialmente o aborto e outra que reverte a decisão de 2020 sobre malformações fetais. Cabe ao presidente Karol Nawrocki sancionar ou vetar.

O Parlamento da Polônia aprovou, nesta terça-feira (20), dois projetos de lei para flexibilizar o acesso ao aborto no país, que tem uma das legislações mais restritivas da União Europeia para a interrupção da gravidez. As medidas ainda podem ser vetadas pelo presidente.
O que preveem os projetos
O primeiro projeto foi apresentado pelo partido de centro-direita Coalizão Cívica (KO), do primeiro-ministro Donald Tusk, e pelo partido A Esquerda. O texto descriminaliza parcialmente o aborto e elimina as penas por ajudar a realizar o procedimento, que atualmente podem chegar a três anos de prisão. Foi aprovado por 217 votos a favor, 213 contra e três abstenções.
O segundo foi apresentado pelos aliados mais conservadores da coalizão, Polônia 2050 e Partido Popular Polonês (PSL). Ele reverte os efeitos de uma decisão de 2020 do Tribunal Constitucional, a mais alta corte do país, que proibiu o aborto em casos de malformações fetais graves. Recebeu 233 votos a favor, 203 contra e uma abstenção.
Regra atual e contexto
Hoje, o aborto só é permitido em duas situações: quando a gravidez resulta de crime, como estupro ou incesto, ou quando coloca em risco a vida ou a saúde da gestante. Antes da decisão de 2020, 98% dos abortos legais no país eram realizados por causa de malformações fetais.
Segundo o Fundo Nacional de Saúde da Polônia (NFZ), foram feitos 573 abortos em hospitais públicos no primeiro semestre de 2026. No ano passado, os hospitais públicos realizaram 851.
O governo de centro e pró-europeu de Tusk havia prometido flexibilizar as regras antes de vencer as eleições de 2023, mas divergências entre as alas da coalizão atrasaram o processo. As restrições de 2020 provocaram protestos em todo o país, as maiores manifestações de massa na Polônia desde o movimento anticomunista de 1989.
Próximo passo
Agora caberá ao presidente conservador nacionalista Karol Nawrocki se pronunciar sobre os projetos. Ele chegou ao cargo com o apoio do partido Lei e Justiça (PiS), que governava anteriormente e promoveu e manteve em vigor a decisão judicial de 2020.
Quer a sua marca aqui? Anuncie no Ministério da Notícia
Leia também
- MUNDO
Papa Leão XIV diz esperar que cooperação em Oleshky fortaleça a vontade de dialogar entre Rússia e Ucrânia
Na oração do Angelus deste domingo, o pontífice afirmou que a operação humanitária na cidade ucraniana ocupada deve levar a novas iniciativas concretas pela paz.
há 3 horas
- MUNDO
França abre investigação por tentativa de homicídio após coquetel molotov lançado contra gendarmes em protesto em Paris
O Ministério Público francês investiga o ataque com artefato incendiário a cerca de 15 gendarmes durante o protesto de sábado contra o custo de vida. Nenhum suspeito foi detido até agora.
há 3 horas
- BOLÍVIA
Bolívia decreta estado de emergência para enfrentar secas e inundações ligadas ao super El Niño
O presidente Rodrigo Paz decretou estado de emergência no país. A medida permite deslocar mais recursos e unidades de resgate para as áreas críticas, num cenário em que a seca já afeta 78 mil famílias.
há 17 horas






