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ALOPECIA AREATA

Pacientes com alopecia areata buscam apoio para reaver autoestima

Doença autoimune ataca folículos pilosos, provoca queda de cabelo e exige suporte psicológico

Redação MNSaúde3 min de leitura
Pacientes com alopecia areata buscam apoio para reaver autoestima
Foto: Ministério da Notícia

Pacientes diagnosticados com alopecia areata enfrentam desafios para lidar com a imprevisibilidade da doença autoimune e buscam alternativas para reaver a autoestima. A condição, que acomete cerca de 2% da população mundial segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia, provoca o ataque do próprio organismo aos folículos pilosos. Os episódios de perda de cabelo podem ocorrer de forma cíclica e se manifestar em qualquer etapa da vida, desde a infância até a fase adulta. A médica dermatologista Enilde Borges Costa explica que a enfermidade pode aparecer em pequenas áreas do couro cabeludo, na forma total ou na versão universal, quando há perda de todos os pelos do corpo. O diagnóstico é clínico, realizado no consultório médico por meio de exame físico e testes simples de tração dos fios. Como a patologia não deixa cicatrizes ou feridas visíveis, a principal alteração perceptível é a ausência de cabelo, barba, cílios ou sobrancelhas. Questões emocionais intensas podem atuar como fatores desencadeantes para acordar a doença, embora a condição tenha forte componente genético.

Tratamentos e efeitos colaterais

O uso prolongado de corticosteroides, frequentemente indicados no combate à doença, exige rigoroso acompanhamento médico devido a efeitos colaterais severos. A revisora de livros Beatriz Santos, que convive com a alopecia areata universal desde 2012, precisou interromper o tratamento na adolescência após exames revelarem osteopenia decorrente do uso de corticoides. Especialistas reforçam a necessidade de exames laboratoriais frequentes para monitorar a densidade óssea dos pacientes em uso dessas medicações. Diante dos riscos, muitos familiares optam por priorizar o suporte psicológico e a aceitação da autoimagem em vez de arriscar a saúde física com terapias agressivas. O pequeno Levi, de cinco anos, iniciou o tratamento em maio de 2025 após um quadro de febre alta, mas a família já decidiu suspender os medicamentos caso surjam efeitos adversos. A mãe, Paloma Monteiro da Lava, atua como porta-voz do filho nas redes sociais para conscientizar a população e evitar que crianças se escondam por causa da aparência.

Grupos de apoio e impacto social

Iniciativas de acolhimento ajudam a reduzir a solidão enfrentada por pacientes e familiares no momento do diagnóstico inicial. O Alopecia Areata Grupo de Apoio, criado pela dermatologista Enilde Borges Costa, realiza reuniões mensais em São Paulo e mantém canais de troca de informações pelo Whatsapp. Juliana Fernandes, que convive com a alopecia universal há mais de duas décadas, encontrou no grupo e na terapia o suporte necessário para aceitar a própria condição. A discussão sobre a inclusão da doença no Estatuto da Pessoa com Deficiência divide opiniões entre os próprios pacientes. Enquanto alguns argumentam que a condição altera apenas a aparência e não impede uma vida normal, outros defendem que a medida pode garantir direitos fundamentais e ampliar políticas públicas de atendimento especializado. Em São Paulo, uma lei municipal aprovada em 2025 já instituiu um protocolo específico de atendimento para garantir exames e acompanhamento psicológico gratuito aos pacientes diagnosticados.

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