Alto comissário da ONU para Direitos Humanos condena violência em protestos na Europa
Volker Türk condenou todos os atos de violência nas manifestações recentes em países europeus e criticou também respostas por vezes excessivas das forças de segurança. Ele citou Albânia, Bélgica, França, Itália e Portugal.

O alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, condenou nesta terça-feira (20) "todos os atos de violência" ocorridos durante manifestações dos últimos dias em vários países europeus. Em comunicado, ele pediu às partes envolvidas que "reduzam as tensões".
O que disse o comissário
"As pessoas têm o direito de se manifestar pacificamente e de fazer ouvir a sua voz. Os Estados devem facilitar o exercício desses direitos", afirmou Türk. Ele lamentou tanto os atos de vandalismo quanto uma resposta por vezes "excessiva" das forças de segurança.
Segundo o comissário, "protestos em massa na Albânia, Bélgica, França, Itália e Portugal estão levantando preocupações quanto aos direitos humanos".
Contexto dos protestos
As manifestações se espalham por diferentes países europeus, impulsionadas sobretudo pela insatisfação com o custo de vida, o acesso à educação e à moradia e a precariedade dos serviços públicos. Há forte participação de jovens, e os atos também refletem reivindicações específicas de cada país, como denúncias de corrupção e críticas a medidas de governos. Em muitos casos, os protestos terminaram em violência.
Na Bélgica, estudantes protestaram contra o aumento dos custos da educação e mudanças que, segundo eles, podem dificultar o acesso ao ensino superior. Em Portugal, manifestantes montaram acampamentos em Lisboa para denunciar o encarecimento da moradia. Na Albânia, os atos contra o governo do primeiro-ministro Edi Rama foram marcados por confrontos com a polícia e acusações de corrupção. Na Espanha, mobilizações contra o preço da habitação também ocorrem nas últimas semanas.
Reação na França e na Itália
O governo francês anunciou nesta terça que enviará forças militares para reforçar o policiamento nos protestos previstos para sábado. O primeiro-ministro Sébastien Lecornu disse que o destacamento policial será "massivo" e que o objetivo é um "retorno imediato à ordem", depois de o país viver, no último fim de semana, alguns de seus piores episódios de violência nas ruas dos últimos anos.
O prefeito de Milão, Giuseppe Sala, afirmou estar preocupado com o que considera um fenômeno de alcance internacional. Ele relatou vitrines quebradas, lojas saqueadas e moradores assustados.
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