Netanyahu pressionou por novo ataque ao Irã antes da eleição em Israel, mas chefe militar resistiu, dizem autoridades
Segundo altos funcionários da defesa israelense ouvidos sob anonimato, o primeiro-ministro tentou por semanas organizar uma ação contra o Irã antes da votação desta terça-feira (27). O chefe do Estado-Maior se opôs.

Antes da eleição israelense desta terça-feira (27), o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu tentou, durante semanas, organizar um novo ataque aéreo contra o Irã, mas encontrou resistência do chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, de acordo com três altos funcionários da defesa israelense e outras três pessoas informadas sobre o assunto. Todos falaram sob condição de anonimato, por não estarem autorizados a se manifestar publicamente.
A resistência dos militares
Nos últimos dias, o tenente-general Eyal Zamir passou a se preocupar com a possibilidade de Netanyahu pressionar por uma ação separada contra o Irã, que não chegasse a ser um ataque declarado, segundo um oficial israelense e uma pessoa a par do assunto. Nenhum deles descreveu a natureza dessa ação. Zamir considerava que isso seria um erro de cálculo e poderia provocar um ataque iraniano contra Israel.
O chefe do Estado-Maior concluiu que não havia necessidade imediata ou urgente de agir. Em princípio, ele não era contrário a medidas contra o Irã, mas se opôs a fazê-lo antes das eleições, segundo as fontes. Zamir e o comandante da Força Aérea, major-general Omer Tischler, citaram sensibilidades políticas e a dificuldade de explicar ao público por que a ação teria de ocorrer naquele momento.
Posição oficial e reações
Em comunicado, as Forças Armadas de Israel afirmaram que suas decisões operacionais se baseiam estritamente em considerações de segurança e na responsabilidade da instituição nacional. Os porta-vozes de Netanyahu não responderam de imediato aos pedidos de comentário. A justificativa do premiê para insistir no ataque não ficou clara. Segundo as fontes, um retorno à guerra poderia ter interrompido ou atrasado a votação.
O desentendimento provocou indignação em Israel. O ex-ministro da Defesa Avigdor Liberman exigiu nesta segunda-feira (26) que o procurador-geral abra uma investigação para apurar se o primeiro-ministro cometeu traição. Ele escreveu que tentar arrastar Israel para uma guerra às vésperas das eleições, por medo de perder, é "uma traição à nação".
Campanha
As tensões ocorrem enquanto Netanyahu descreve a eleição em termos cada vez mais dramáticos. No fim de semana, ele publicou nas redes sociais uma imagem gerada por inteligência artificial de uma nuvem em forma de cogumelo sobre Tel Aviv e disse, em aparição na televisão, que a votação decidiria "a existência de Israel".
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