Nepal monitora dois lagos após inundação catastrófica no Himalaia
Autoridades usam imagens de satélite e planejam instalar câmeras e sensores para acompanhar o escoamento e evitar novos desastres na região fronteiriça.

O governo do Nepal iniciou nesta sexta-feira o monitoramento intensivo de dois lagos situados próximos a uma área de inundação. Um dos reservatórios começou a transbordar no mesmo dia, conforme informou um representante da Autoridade de Gestão de Desastres do Nepal. O alerta permanece ativo porque o risco de novas enchentes vai continuar até que ambos os lagos tenham escoado totalmente. As equipes locais dependem atualmente de imagens de satélite para acompanhar a evolução das condições meteorológicas e hídricas. No entanto, o trabalho de observação enfrenta limitações práticas devido à disponibilidade restrita de novas imagens orbitais. Para contornar o problema, o governo nepaleso planeja instalar câmeras e sensores na região a jusante. Os equipamentos devem ser posicionados inclusive nas proximidades da cidade fronteiriça de Timure. As autoridades avaliam opções logísticas para realizar essa implantação por meio de transporte com helicópteros.
Cientistas apontam impacto das mudanças climáticas
O cenário de alerta surge na sequência de um desastre ocorrido na última quarta-feira ao longo da fronteira entre o Nepal e o Tibete. Uma enorme parede de lama e rochas desabou em um rio do Himalaia, provocando inundações catastróficas em vales e cidades da região. O evento deixou quase 1, 5 mil pessoas desaparecidas, sendo pelo menos 800 estrangeiros entre os afetados pelas correntezas. Centenas de mortes também foram registradas pelas autoridades locais após a tragédia na cordilheira. A causa exata do desastre ainda passa por análises técnicas detalhadas de especialistas e equipes de investigação. Cientistas avaliam que as mudanças climáticas criam condições capazes de desestabilizar rochas e gelo nas altas montanhas. O fenômeno eleva expressivamente a probabilidade de novos desastres ambientais na região do Himalaia. A análise preliminar indica que o evento teve início com uma enorme avalanche de gelo e rochas nas encostas norte do pico Langtang Lirung, no Nepal. O material desceu até o curso do rio Lhende Khola, localizado já no lado tibetano, gerando a onda de destruição.
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