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INDENIZAÇÃO NOS EUA

Mulher recebe indenização milionária após aborto espontâneo nos Estados Unidos

Patience Rousseau passou mais de dois anos na prisão em Nevada antes de ter condenação anulada

Redação MNSaúde3 min de leitura
Mulher recebe indenização milionária após aborto espontâneo nos Estados Unidos
Foto: Ministério da Notícia

Patience Rousseau, de 34 anos, vai receber cerca de US$ 1,2 milhão de uma indenização total de US$ 1,6 milhão, o equivalente a cerca de R$ 8 milhões. Ela passou mais de dois anos na prisão por homicídio culposo relacionado à morte de seu bebê em Nevada, nos Estados Unidos. A condenação inicial foi baseada em uma lei estadual de 1911 que criminaliza tentativas de interromper a gravidez após 24 semanas. O caso começou em 2018, quando a mulher vivia em situação de vulnerabilidade em Winnemucca com dois filhos pequenos. Grávida e sem condições financeiras de viajar até Reno para realizar um procedimento, ela buscou na internet métodos para interromper a gestação. Em abril daquele ano, ela deu à luz um bebê natimorto chamado Abel. Poucas semanas depois, a polícia a prendeu sob a alegação de que o consumo de metanfetamina, maconha e cigarros teria provocado o óbito.

A defesa conseguiu reverter a condenação em 2021 após questionar a falta de provas de que as substâncias causaram a morte da criança. O médico-legista responsável não conseguiu determinar a causa exata do falecimento, e havia dúvidas sobre o tempo real de gestação. Rousseau havia se declarado culpada e começado a cumprir pena em 2019. O processo de anulação definitiva das acusações só foi encerrado quatro anos mais tarde, em 2025. O acordo financeiro também solucionou uma disputa paralela envolvendo as cinzas do recém-nascido. Os restos mortais estavam com uma vice-xerife que participou da prisão e levou o material ao se mudar para o Texas. Como parte do entendimento judicial, as cinzas foram devolvidas para a mãe.

Acordo finaliza processo e devolve cinzas de bebê

O pacto de indenização foi finalizado em agosto, e o dinheiro chegou na semana passada para a família. Do valor total, aproximadamente US$ 1,2 milhão vão diretamente para Rousseau, enquanto o restante cobre despesas jurídicas e o reembolso ao estado de Nevada. O pagamento não representa uma admissão oficial de culpa por parte do Condado de Humboldt. A mulher relatou que a prisão e a exposição pública geraram marcas duradouras para ela e para os filhos. Atualmente, ela mora na Dakota do Sul com três dos quatro filhos e afirma estar sóbria, embora ainda lide com dificuldades emocionais.

A beneficiária pretende utilizar parte dos recursos financeiros para quitar a casa própria, comprar um carro para a mãe e iniciar um negócio voltado para plantas e animais aquáticos raros. O desfecho do caso reacendeu o debate público em torno da legislação centenária de Nevada. Uma proposta para revogar a norma não chegou a ser debatida pelo Legislativo estadual no ano passado, apesar do controle democrata na Assembleia Legislativa. O episódio ganhou ampla repercussão na imprensa norte-americana e evidenciou os impactos jurídicos de leis antigas sobre a saúde reprodutiva.

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