Ministério da Justiça inaugura centro de inteligência prisional em agosto
Nova estrutura federal visa unificar protocolos de segurança e bloquear a comunicação de facções criminosas a partir do interior dos presídios do país.
O Ministério da Justiça e Segurança Pública confirmou nesta quarta-feira que o Centro Nacional de Inteligência Penal iniciará suas operações ainda este mês. A nova estrutura operacional tem como objetivo unificar protocolos de segurança e coibir o planejamento de crimes a partir do interior dos estabelecimentos prisionais brasileiros. Instituído em junho por meio de portaria ministerial, o centro integra o projeto Padrão Segurança Máxima, que faz parte do programa federal Brasil Contra o Crime Organizado. A unidade vai reunir órgãos de inteligência das polícias penais federal, dos estados e do Distrito Federal para atuar em regime contínuo.
Combate ao crime organizado
O órgão coordenará a Rede Nacional de Inteligência Penitenciária para consolidar informações, monitorar crises e fornecer suporte técnico à Secretaria Nacional de Políticas Penais e aos entes federativos. Durante entrevista coletiva sobre estratégias de enfrentamento a ilícitos com telefones celulares, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, destacou que a entrada ilegal de aparelhos nos presídios alimenta uma cadeia que envolve furtos, roubos e receptação. Dados divulgados pela pasta indicam que os roubos e furtos de celulares caíram de 225.644 no primeiro trimestre de 2025 para 215.589 no mesmo período de 2026, o que representa uma redução de 4,5% nesse tipo de ocorrência. A estratégia ministerial busca sufocar a comunicação entre integrantes de organizações criminosas e romper o ciclo que termina no sistema prisional.
Operações integradas
Entre os dias 10 e 19 de agosto, a Operação Última Chamada recuperou 6.052 aparelhos celulares, executou 97 prisões em flagrante, fiscalizou 227 comércios e enviou mais de 33 mil alertas para pessoas com dispositivos irregulares. Especificamente no sistema penitenciário, operações realizadas entre maio e agosto pela Secretaria Nacional de Políticas Penais, em parceria com estados e o Distrito Federal, resultaram na apreensão de 2.254 celulares após revistas em quase 9,9 mil celas de 295 unidades prisionais de todo o país. O secretário nacional de Políticas Penais, André Garcia, afirmou que as ações são fundamentais para interromper o comércio ilegal de aparelhos, que muitas vezes viabiliza a aplicação de golpes e execuções de crimes letais intencionais.
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