Marine Le Pen lança candidatura à Presidência da França e promete "tolerância zero" contra o crime
A líder da extrema direita francesa lançou formalmente a candidatura em Orléans, neste domingo (25). Pesquisa divulgada no mesmo dia a mostra com 32% a 33,5% das intenções de voto.

A líder da extrema direita francesa, Marine Le Pen, lançou formalmente neste domingo (25) sua candidatura à Presidência da França, prometendo restaurar a ordem e a confiança nacional. Favorita na corrida presidencial do próximo ano, ela fez o primeiro discurso de campanha em Orléans, cidade associada a Joana d'Arc, símbolo para os nacionalistas franceses.
O discurso
Diante de uma multidão de apoiadores, Le Pen se apresentou como a candidata mais preparada para enfrentar o que classificou como uma combinação crescente de crises econômica, social e de segurança. "Não estamos vivendo o fim do mundo, mas o fim de um mundo, o mundo deles", disse, em referência aos adversários políticos.
Ela estruturou a fala em torno do tema de uma "Renascença" nacional. Segundo Le Pen, a França vive um período de profunda transformação, mas sairá mais forte se adotar sua visão baseada em segurança, prosperidade e renovação. "Nós dizemos: 'as coisas eram boas antes, serão melhores amanhã!'", afirmou.
As propostas
Na segurança, a candidata prometeu política de "tolerância zero" contra o crime e disse que restaurar a segurança é o principal dever do Estado. Também prometeu endurecer a política de imigração, restaurar controles de fronteira, expulsar automaticamente estrangeiros condenados por crimes e intensificar o combate a gangues e traficantes de drogas.
Na economia, anunciou contenção de gastos públicos, redução de impostos para empresas, menos burocracia e apoio à indústria, à inovação e à inteligência artificial. Rejeitou ainda novas elevações da idade mínima de aposentadoria.
Contexto
O lançamento ocorre em um dos períodos mais turbulentos da França nos últimos anos. Protestos em massa contra o aumento do custo de vida e a desigualdade social, realizados no fim de semana passado, terminaram em episódios de saques e vandalismo.
Pesquisa de opinião divulgada neste domingo mostrou Le Pen com entre 32% e 33,5% das intenções de voto, à frente do líder da esquerda radical Jean-Luc Mélenchon, que aparece com 17%. O levantamento indica que ela venceria Mélenchon em um eventual segundo turno, previsto para o início de maio.
Le Pen foi condenada por desvio de recursos do Parlamento Europeu e recorre da decisão. Ela poderá fazer campanha usando tornozeleira eletrônica. O congresso do partido Reagrupamento Nacional foi planejado para demonstrar unidade: Jordan Bardella foi reeleito presidente da legenda e apresentado por Le Pen como sua escolha para o cargo de primeiro-ministro.
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