Macron diz que "nada justifica" violência nos protestos e promete "total transparência" sobre ação da polícia
Em pronunciamento na TV, o presidente francês atribuiu a violência a grupos de extrema esquerda e a criminosos e pediu ao ministro do Interior respostas claras sobre falhas de antecipação da polícia.

O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou neste domingo (18), em pronunciamento à nação transmitido pela TV, que "nada justifica" a violência "desenfreada" registrada nos protestos contra o aumento do custo de vida e a piora dos serviços públicos. A fala começou por volta das 20h locais (15h em Brasília).
O que disse o presidente
"Esta noite, todos sentimos raiva e vergonha", declarou Macron. Ele pediu que se distinga entre manifestantes com "reivindicações legítimas" e "aqueles que destruíram, quebraram e saquearam". O presidente atribuiu a violência a "elementos insurrecionais de grupos radicais de extrema esquerda, acompanhados por numerosos criminosos".
"Quem saqueou terá de pagar pelos danos, e aqueles que tentaram derrubar a República serão responsabilizados", disse. Macron prometeu "total transparência" sobre a resposta das forças de segurança, alvo de críticas por preparação considerada inadequada, e pediu ao ministro do Interior, Laurent Nuñez, que "extraia todas as lições necessárias", sobretudo quanto à coleta de informações e à capacidade de antecipação, esperando "respostas claras".
Balanço dos atos
Os protestos de sábado (17) reuniram, segundo estimativas citadas nos textos, entre 550 mil e 800 mil pessoas em dezenas de cidades. Houve saques a lojas e ataques a prédios públicos. A prefeitura de Limoges, construída no século 19, foi incendiada e teve o telhado desabado.
As autoridades falam em mais de 1.800 presos, número que chega a cerca de 2.400 em dados atualizados, e entre mais de 500 e 1.000 policiais feridos, conforme a fonte. Um manifestante morreu de ataque cardíaco em Paris, segundo a polícia da capital, e o Ministério Público de Paris abriu investigação.
Novos confrontos em Paris
Neste domingo, centenas de pessoas voltaram a se reunir na Place de la République, em Paris, sob forte presença policial. Agentes usaram gás lacrimogêneo quando pequenos grupos tentaram incendiar bicicletas e lixeiras.
O ministro do Interior escreveu na rede X que o direito de protestar é fundamental, mas que "semear deliberada e coletivamente a desordem por meio da violência" não é. Ele citou o saque de centenas de estabelecimentos em cidades como Paris, Marselha, Lyon e Bordeaux. O líder da extrema direita, Jordan Bardella, disse que a França foi "humilhada" e pediu a renúncia de Macron.
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