Macron chama de "estúpidas" declarações de líderes estrangeiros sobre os distúrbios na França
Em entrevista em Doha, o presidente francês criticou dirigentes que, segundo ele, usam imagens falsas e conteúdo de inteligência artificial para fazer campanha às custas da França. Ele não citou nomes.

O presidente da França, Emmanuel Macron, criticou nesta quarta-feira (21) líderes estrangeiros que, segundo ele, exploram os distúrbios registrados no país no fim de semana para promover as próprias agendas políticas. Ele não citou diretamente nenhum nome.
O que disse Macron
Em entrevista coletiva em Doha, no Catar, o presidente afirmou que a circulação de imagens falsas e de informações enganosas deu origem a declarações "inaceitáveis e estúpidas" de dirigentes estrangeiros.
"Há dirigentes em campanha, seja na região ou do outro lado do Atlântico, que às vezes reproduzem ingenuamente o que aparece na inteligência artificial. Eles fazem campanha às nossas custas", afirmou.
As falas que antecederam a crítica
Na segunda-feira (19), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que a França estava sendo "conquistada, saqueada e incendiada por migrantes, jihadistas e comunistas" e pediu que Macron fechasse as fronteiras e combatesse a criminalidade. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que o país havia sido tomado pelo "islamismo extremista".
Os protestos
As declarações vieram depois de uma onda de manifestações contra a alta do custo de vida e a deterioração dos serviços públicos, incluindo as condições de ensino. No sábado (17), cerca de 500 mil pessoas participaram de atos em várias cidades, segundo estimativas das autoridades. A maioria das manifestações foi pacífica, mas houve confrontos com a polícia, saques e incêndios.
A polícia prendeu cerca de 2.400 pessoas no sábado, segundo dados oficiais. Em Paris, 557 pessoas foram colocadas sob custódia, informou a promotora Laure Beccuau na terça-feira (20). Cerca de 300 já haviam comparecido perante um magistrado, e, segundo a promotora, nenhuma alegou motivação política. Na segunda-feira, foram impostos toques de recolher em cidades afetadas pela violência.
O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, atribuiu os atos violentos à extrema esquerda. O partido França Insubmissa negou ter organizado ou orquestrado a violência. O governo também apontou a participação de criminosos que aproveitaram os protestos para depredações e saques.
Pressão sobre o governo
Lecornu anunciou uma mobilização policial em larga escala, e Macron convocou uma reunião com integrantes do governo e autoridades de segurança para discutir medidas contra novos episódios. O governo, sem maioria parlamentar estável, também prepara um ajuste das contas públicas para 2027, enquanto enfrenta cobranças por medidas contra a perda de poder aquisitivo. A viagem de Macron aos países do Golfo tem entre os objetivos garantir o abastecimento de combustíveis e reduzir a pressão sobre os preços.
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