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Macron chama de "estúpidas" declarações de líderes estrangeiros sobre os distúrbios na França

Em entrevista em Doha, o presidente francês criticou dirigentes que, segundo ele, usam imagens falsas e conteúdo de inteligência artificial para fazer campanha às custas da França. Ele não citou nomes.

Redação MNMundo3 min de leitura
Macron chama de "estúpidas" declarações de líderes estrangeiros sobre os distúrbios na França
Foto: Reprodução

O presidente da França, Emmanuel Macron, criticou nesta quarta-feira (21) líderes estrangeiros que, segundo ele, exploram os distúrbios registrados no país no fim de semana para promover as próprias agendas políticas. Ele não citou diretamente nenhum nome.

O que disse Macron

Em entrevista coletiva em Doha, no Catar, o presidente afirmou que a circulação de imagens falsas e de informações enganosas deu origem a declarações "inaceitáveis e estúpidas" de dirigentes estrangeiros.

"Há dirigentes em campanha, seja na região ou do outro lado do Atlântico, que às vezes reproduzem ingenuamente o que aparece na inteligência artificial. Eles fazem campanha às nossas custas", afirmou.

As falas que antecederam a crítica

Na segunda-feira (19), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que a França estava sendo "conquistada, saqueada e incendiada por migrantes, jihadistas e comunistas" e pediu que Macron fechasse as fronteiras e combatesse a criminalidade. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que o país havia sido tomado pelo "islamismo extremista".

Os protestos

As declarações vieram depois de uma onda de manifestações contra a alta do custo de vida e a deterioração dos serviços públicos, incluindo as condições de ensino. No sábado (17), cerca de 500 mil pessoas participaram de atos em várias cidades, segundo estimativas das autoridades. A maioria das manifestações foi pacífica, mas houve confrontos com a polícia, saques e incêndios.

A polícia prendeu cerca de 2.400 pessoas no sábado, segundo dados oficiais. Em Paris, 557 pessoas foram colocadas sob custódia, informou a promotora Laure Beccuau na terça-feira (20). Cerca de 300 já haviam comparecido perante um magistrado, e, segundo a promotora, nenhuma alegou motivação política. Na segunda-feira, foram impostos toques de recolher em cidades afetadas pela violência.

O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, atribuiu os atos violentos à extrema esquerda. O partido França Insubmissa negou ter organizado ou orquestrado a violência. O governo também apontou a participação de criminosos que aproveitaram os protestos para depredações e saques.

Pressão sobre o governo

Lecornu anunciou uma mobilização policial em larga escala, e Macron convocou uma reunião com integrantes do governo e autoridades de segurança para discutir medidas contra novos episódios. O governo, sem maioria parlamentar estável, também prepara um ajuste das contas públicas para 2027, enquanto enfrenta cobranças por medidas contra a perda de poder aquisitivo. A viagem de Macron aos países do Golfo tem entre os objetivos garantir o abastecimento de combustíveis e reduzir a pressão sobre os preços.

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