Lula nega motivação eleitoral em proibição de apostas e Bolsa Família
Presidente defendeu as medidas durante entrevista e argumentou que ações decorrem de impacto econômico e espaço fiscal.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva negou, nesta quinta-feira, que a proibição das apostas e o reajuste do Bolsa Família tenham motivação eleitoral. As decisões foram anunciadas nas semanas anteriores ao primeiro turno das eleições, marcado para o próximo domingo. A proximidade temporal gerou críticas imediatas por parte de adversários políticos. O chefe do Executivo abordou os temas durante entrevista ao Flow Podcast.
Sobre as apostas de quota fixa, o governo publicou em 25 de setembro uma medida provisória que proíbe a oferta, a intermediação e a publicidade dessas atividades no país. Lula afirmou que tomou a decisão após constatar o impacto do setor sobre o endividamento das famílias. O presidente relatou ter descoberto débitos relacionados a apostas em uma situação pessoal e classificou o cenário como prejudicial à população de baixa renda.
O mandatário reconheceu que a proximidade da disputa eleitoral influenciou o momento do anúncio da proibição. Ele argumentou que a medida precisava ser executada imediatamente para evitar a continuidade dos prejuízos financeiros aos cidadãos. O setor de apostas contava com apoio de influenciadores digitais, cujas críticas já eram esperadas pelo governo federal durante o processo de restrição da atividade.
Perguntado no programa por que a proibição só veio nove dias antes do primeiro turno, Lula respondeu: "Por que eu não fiz antes? Porque eu não sabia". Segundo ele, a decisão foi tomada depois de conversar com pessoas endividadas pelas apostas, e até então ele "não tinha noção da gravidade do problema". O presidente disse ainda duvidar que deputados e senadores derrubem a medida: "Eu duvido que o Congresso tenha coragem de acabar com ela".
Pela medida provisória, os apostadores têm até as 23h59 de segunda-feira (5) para sacar os saldos, e os sites e aplicativos devem sair do ar a partir de terça-feira (6).
Reajuste do Bolsa Família
No mesmo período, o governo anunciou uma recomposição de 15,04% nos valores pagos pelo Bolsa Família. O benefício mínimo subiu de R$ 600 para R$ 691, enquanto a média estimada passou de R$ 675 para R$ 777. A atualização corresponde à inflação acumulada pelo INPC entre março de 2023 e agosto de 2026. A nova tabela começou a valer na folha de pagamentos do mês de outubro.
Lula rejeitou a classificação de que o aumento do benefício social possua caráter eleitoreiro. O presidente justificou que a alteração ocorreu devido à existência de espaço fiscal e de margem no orçamento público. Segundo ele, o reajuste representa apenas a reposição da inflação oficial do período e não um ganho real para os beneficiários. O presidente também mencionou ter cobrado a equipe econômica pela ausência de atualizações anteriores no programa.
As decisões recentes do governo federal motivaram reações contrárias de diversos candidatos à Presidência da República. Adversários políticos como Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Renan Santos e Flávio Bolsonaro criticaram as medidas. Os opositores classificaram o reajuste do programa social e a proibição das apostas como atos de desespero e aberrações eleitorais voltadas para o pleito.
Quer a sua marca aqui? Anuncie no Ministério da Notícia
Leia também
- VESTIBULAR
Fuvest 2027 aplica primeira fase neste domingo com 80 questões e 106 mil inscritos
A primeira fase da Fuvest 2027 é realizada neste domingo (1º) com 80 questões, dez a menos que na edição anterior. Há 8.147 vagas na USP.
há 6 horas
- SEGURANÇA INDÍGENA
Governo vai ampliar Força Nacional em aldeias Guarani Kaiowá após denúncias de violência política em Mato Grosso do Sul
O ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, anunciou reforço da Força Nacional em aldeias na fronteira com o Paraguai, após denúncias de violência depois do segundo turno. A Apib contabiliza mais de 30 casos.
há 19 horas
- INCÊNDIO NA GRANDE SÃO PAULO
Incêndio de grandes proporções atinge galpão de fábrica em Mauá e mobiliza 15 viaturas dos bombeiros
Fogo atinge galpão de uma fábrica no bairro Capuava, em Mauá (SP), desde o fim da tarde deste sábado (31). Não havia registro de feridos até a última atualização.
há 19 horas






