Likud, de Netanyahu, acusa partidos árabes de "roubar" a eleição em Israel e apresenta denúncia às autoridades
Com mais de 85% dos votos apurados, o bloco de Netanyahu tem projeção de 53 cadeiras contra 48 do bloco de Eisenkot. Os partidos árabes, com 19 cadeiras projetadas, podem ser decisivos para formar governo.

O Likud, partido do primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, acusou nesta quarta-feira (28) os partidos árabes de terem roubado a eleição, depois que resultados parciais indicaram que eles podem ter papel decisivo na formação do próximo governo. Não foram apresentadas publicamente provas das acusações.
A acusação
Em comunicado, o Likud afirmou que a eleição foi "roubada por partidos árabes que apoiam o terrorismo e a aniquilação do Estado judeu". O partido listou suspeitas de "suborno, ameaças, violência, fraude e o uso de softwares proibidos" para estimular o comparecimento de eleitores. Disse estar entregando depoimentos e provas às autoridades e mencionou "milhares de envelopes cheios de dinheiro e cédulas do Raam", além de ameaças e violência contra funcionários de seções eleitorais.
Na terça-feira (27), durante a votação, Netanyahu já havia acusado os partidos árabes, em particular o Raam, de tentarem roubar a eleição. O líder do Raam, Mansour Abbas, respondeu que o primeiro-ministro "mente e incita contra" seu partido para mobilizar eleitores de direita.
O que apuraram as autoridades
O diretor-geral interino da Comissão Central de Eleições, Dean Livne, classificou como "incomum" o episódio em que a polícia deteve pessoas que tentavam subornar eleitores. Segundo ele, o caso foi isolado e está sob investigação. A polícia confirmou que três pessoas foram presas durante a noite sob suspeita de tentar comprar votos para o Raam e que foram apreendidos envelopes e cerca de US$ 7,9 mil em dinheiro.
Placar parcial
Com mais de 85% dos votos apurados, o bloco de direita de Netanyahu aparece ligeiramente à frente, com projeção de 53 cadeiras no Knesset, que tem 120 assentos. O bloco do principal rival, Gadi Eisenkot, tem projeção de 48. Como nenhum dos lados deve chegar às 61 cadeiras necessárias para a maioria, os dois grupos árabes, a Lista Conjunta e o Raam, somam 19 cadeiras projetadas e ocupam posição potencialmente decisiva.
Um dirigente da Lista Conjunta, Yussef Jabareen, disse que o grupo não vê como participar de uma coalizão nas circunstâncias atuais, citando a guerra em Gaza e a situação na Cisjordânia. Segundo ele, o grupo poderia apoiar um governo alternativo para derrubar a coalizão de Netanyahu, sem integrá-lo.
O partido de Eisenkot havia acusado Netanyahu, na terça, de preparar o terreno para contestar os resultados.
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