Juíza federal rejeita ação do governo Trump que tentava barrar resultado da eleição para o Senado no Alasca
A juíza-chefe Sharon Gleason concluiu que o Departamento de Justiça não tem legitimidade para propor a ação, que pedia a separação de votos dados a um candidato com o mesmo nome do senador Dan Sullivan.

Uma juíza federal do Alasca rejeitou, neste domingo (1º), a ação do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que contestava de forma preventiva o resultado da eleição para o Senado no estado. A decisão é da juíza-chefe Sharon Gleason, do Tribunal Distrital dos Estados Unidos em Anchorage.
O que pedia a ação
O Departamento de Justiça apresentou o processo em outubro, por ordem do presidente. A ação pedia que a Justiça impedisse a oficialização do resultado em um cenário específico: se o senador republicano Dan Sullivan perdesse a disputa, mas tivesse vencido caso recebesse os votos dados a Daniel J. Sullivan, um professor aposentado de Petersburg que também é candidato ao mesmo cargo.
O governo pedia ainda uma investigação para apurar se os eleitores do professor queriam, na verdade, votar no senador, e, na sexta-feira (30), a separação de todas as cédulas com voto nele.
O que decidiu a juíza
Gleason concluiu que o Departamento de Justiça não tem legitimidade jurídica para apresentar a ação e reforçou o direito dos estados de conduzir suas eleições. A Constituição americana atribui o controle das eleições aos estados, e especialistas em direito davam pouca chance de sucesso ao caso.
A juíza também questionou a viabilidade da proposta. Segundo ela, o governo federal não contesta as preocupações sobre a preservação do sigilo do voto e não explica como a separação das cédulas e uma investigação ordenada pela Justiça sobre a intenção de determinados eleitores poderiam ser feitas sem violar esse sigilo.
O contexto da disputa
No Alasca, o senador Dan Sullivan, do Partido Republicano, enfrenta a ex-deputada federal democrata Mary Peltola. O resultado pode ser decisivo para definir se os republicanos manterão o controle do Senado.
O professor aposentado afirmou ter votado nos democratas nas três últimas eleições presidenciais e em Peltola nas campanhas dela à Câmara, em 2022 e 2024.
Reportagens divulgadas depois do ajuizamento da ação apontaram que um operador democrata ligado à campanha de Peltola e ao Comitê Democrata de Campanha para o Senado recrutou Daniel J. Sullivan, como parte de um esforço para lançar candidatos que pudessem tirar votos do senador. Peltola e os democratas nacionais negam qualquer ligação com a candidatura. O governador do Alasca, o republicano Mike Dunleavy, mandou abrir uma investigação criminal sobre a campanha de Peltola.
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