João Carlos relembra superação da fome e resgate de Marcelinho no Corinthians
Ex-zagueiro multicampeão detalha os bastidores da carreira, a passagem marcante pelo futebol e as dificuldades antes do sucesso

O ex-zagueiro João Carlos relembrou os momentos mais marcantes de sua trajetória no futebol profissional, desde a infância marcada pela escassez de recursos até os títulos conquistados no Corinthians e no Cruzeiro. Aos 54 anos, o antigo defensor construiu um currículo vitorioso que inclui o Mundial de Clubes de 2000, o Campeonato Brasileiro de 1999 e o Paulistão de 2001 pela equipe paulista. Natural de Sete Lagoas, em Minas Gerais, ele hoje atua como assessor parlamentar e treina crianças no futsal de uma escola particular após encerrar a carreira nos gramados em 2016. A trajetória vitoriosa, no entanto, foi antecedida por barreiras severas na juventude e conflitos nos bastidores dos clubes onde atuou.
Antes de alcançar o sucesso no cenário nacional, o ex-jogador enfrentou dificuldades severas para se alimentar e relata ter passado fome no início de sua trajetória no Democrata de Sete Lagoas. Filho de uma família com nove irmãos, ele precisava conciliar o trabalho com o esporte em um período no qual o pai reprovava a prática do futebol, considerando a atividade como falta de ocupação produtiva. Após ser adquirido pelo Cruzeiro em 1994, o defensor passou por empréstimos sucessivos até consolidar seu espaço na equipe principal com o técnico Nelsinho Baptista em 1997. Nesse mesmo período no clube mineiro, enfrentou um momento de isolamento ao treinar separado por dois ou três meses sob o comando de Paulo Autuori, sem permissão para utilizar o vestiário junto com os demais atletas.
Bastidores no Corinthians
No Corinthians, onde acumulou 92 jogos e nove gols marcados, o ex-zagueiro exerceu a função de capitão e precisou intervir em atritos internos envolvendo o técnico Vanderlei Luxemburgo e o meia Marcelinho Carioca. Durante uma partida da Copa do Brasil contra a Ponte Preta em Presidente Prudente, o treinador manifestou a intenção de afastar o atleta antes da preleção. Diante da pressão do restante do elenco para que o craque entrasse em campo, João Carlos assumiu a responsabilidade de negociar a permanência do companheiro diretamente com o comandante técnico. Luxemburgo concordou com a escalação sob a condição de que o zagueiro seria responsabilizado caso o meio-campista fosse expulso ou cometesse falhas capitais na partida.
A intervenção surtiu efeito prático no desempenho do time, culminando em uma atuação de destaque do meia em campo e na vitória incontestável da equipe corintiana. A personalidade forte do companheiro de equipe exigia constante atenção tanto nos treinamentos quanto nos confrontos oficiais para evitar desgastes no grupo. Ao lado de grandes nomes como Edilson, Luizão, Vampeta e Ricardinho, o ex-defensor participou ativamente da era mais vitoriosa do clube no final da década de 1990 e início dos anos 2000. O reconhecimento nacional obtido no período corintiano coroou uma carreira marcada pela persistência após os obstáculos enfrentados nos primeiros anos no futebol mineiro.
A transição para o cenário internacional também marcou a trajetória do ex-zagueiro com a disputa da final do Mundial Intercontinental de 1997 pelo Cruzeiro contra o Borussia Dortmund no Japão. Para aquela decisão específica, a diretoria do clube mineiro recorreu ao mercado e firmou contratos de curta duração com novos reforços para compor o grupo. Anos mais tarde, o encerramento das atividades profissionais em 2016 veio acompanhado de problemas de saúde, incluindo um episódio de arritmia cardíaca que encerrou definitivamente suas pretensões de seguir a carreira como treinador de futebol. De volta à cidade natal em Minas Gerais, o ex-atleta consolidou sua rotina longe dos holofotes dos grandes estádios brasileiros.
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