Exército de Israel fechará entradas da Cisjordânia na terça, dia da eleição, após deslocar cerca de 2 mil palestinos em Hebron
As Forças Armadas israelenses proibiram a entrada e a saída de trabalhadores palestinos na Cisjordânia no dia das eleições legislativas, na terça-feira (27). A medida vem depois da retirada forçada de cerca de 2 mil moradores de Hebron.

O Exército de Israel informou neste domingo (25) que as entradas para a Cisjordânia ocupada ficarão bloqueadas na terça-feira (27), dia das eleições legislativas no país. Em comunicado, as Forças Armadas anunciaram a proibição de entradas e saídas de trabalhadores palestinos na Cisjordânia e no Vale do Jordão, incluindo as zonas industriais e as passagens terrestres.
Deslocamento em Hebron
O anúncio ocorre depois que Israel obrigou cerca de 2 mil palestinos a deixar suas casas em Hebron, a maior cidade da Cisjordânia, após um ataque que matou dois soldados israelenses. "Cerca de 2.000 pessoas foram deslocadas", afirmou o ministro da Defesa, Israel Katz, à emissora pública Kan. Segundo ele, os moradores não poderão voltar ao bairro até que as forças terminem de lidar com todas as questões relacionadas ao Hamas em Hebron.
Moradores disseram ter ouvido soldados anunciarem a ordem de retirada por megafones durante a noite. Um comerciante de 70 anos, Higazi Shawer al-Tamimi, contou que teve duas horas para arrumar malas, reunir documentos e encontrar onde ficar. Ele afirmou que as ordens ocorrem porque o primeiro-ministro, Binyamin Netanyahu, "quer vencer" as eleições com o "sangue dos palestinos". Não houve manifestação do governo israelense sobre essa acusação no material consultado.
Operações e reação palestina
O Exército afirmou que, entre sexta-feira (23) e sábado (24), realizou operações em 40 áreas da Cisjordânia e capturou quase 40 suspeitos, entre eles pessoas ligadas ao Hamas e a organizações jihadistas, além de suspeitos de incitação, perturbação da ordem pública e lançamento de pedras.
A Autoridade Palestina, que governa parcialmente a Cisjordânia, pediu que a comunidade internacional pressione Israel a proteger os deslocados.
Contexto eleitoral
Netanyahu disputa a votação de terça em um cenário de pesquisas que apontam empate técnico com seu principal adversário. O premiê afirmou estar preparando uma operação de maior envergadura, "como não se vê desde a Guerra dos Seis Dias", em 1967. O ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, também candidato, voltou a pedir o desmantelamento da Autoridade Palestina, embora não haja indício que a vincule ao ataque.
A organização israelense de direitos humanos Yesh Din contabilizou 672 incidentes de violência de colonos contra palestinos nos últimos 26 dias, metade deles durante a colheita de azeitonas.
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