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DOAÇÃO DE ÓRGÃOS

Idosos podem doar órgãos em vida e reforçam campanha de transplantes

Ministério da Saúde destaca que a idade avançada não é impedimento automático para doação, desde que exames comprovem boa saúde.

Redação MNSaúde3 min de leitura
Idosos podem doar órgãos em vida e reforçam campanha de transplantes
Foto: Ministério da Notícia

O Ministério da Saúde reforça, durante a campanha Setembro Verde, que pessoas idosas também podem atuar como doadores vivos de órgãos. A legislação brasileira permite a doação entre parentes de até o quarto grau e cônjuges sem necessidade de autorização judicial. Em 2023, Arivaldo Sampaio doou um rim para o próprio filho após descobrir compatibilidade total entre eles. Arivaldo tinha 69 anos na época do procedimento e passou por uma bateria rigorosa de exames clínicos.

De acordo com a pasta, um doador vivo pode ceder um dos rins, parte do fígado, parte da medula óssea ou parte dos pulmões. A compatibilidade sanguínea é um requisito obrigatório em todos os casos de transplante entre vivos. O médico avalia minuciosamente a história clínica do voluntário e a presença de eventuais doenças prévias. A idade isolada, contudo, nunca representa uma limitação automática para a realização da cirurgia.

Avaliação médica detalhada

O nefrologista Geraldo Freitas, da Unidade de Transplantes do Hospital Universitário de Brasília (HUB), explicou que a análise em idosos exige ainda mais cautela. O objetivo principal é garantir a segurança absoluta de quem doa e preservar a saúde futura do paciente. O processo investigativo envolve exames de sangue, testes de urina, avaliação da função renal, exames de imagem e checagem cardiovascular completa.

O envelhecimento natural eleva a probabilidade de o indivíduo manifestar condições como hipertensão arterial, diabetes ou problemas cardíacos. Tais fatores podem elevar os riscos inerentes a uma cirurgia de grande porte e à vida com apenas um rim. Por isso, a junta médica examina o estado geral de saúde, a expectativa de vida e a capacidade funcional do órgão ofertado. A decisão final pondera o equilíbrio entre a segurança do doador e a eficácia para o receptor.

O Brasil registrou 4.335 doadores efetivos em 2025, alcançando a marca de 20, 3 doadores por milhão de habitantes. Os dados oficiais do Sistema Nacional de Transplantes mostram que o índice representa o maior patamar já registrado na história do país. Apesar do avanço nos números absolutos, a fila de espera por um órgão permanece longa e sensível. Atualmente, cerca de 49, 4 mil brasileiros aguardam por uma oportunidade de transplante na rede pública e privada.

Após o procedimento bem-sucedido coordenado pelo HUB, Arivaldo recuperou-se plenamente e hoje mantém uma rotina ativa de exercícios físicos. O professor aposentado pratica corrida, musculação e alongamento cinco vezes por semana e realiza exames anuais de acompanhamento. A experiência familiar reforça a importância do cuidado contínuo com a saúde ao longo da vida para preservar a qualidade na velhice.

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