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EDUCAÇÃO E CIÊNCIA

Governo Lula prepara recriar o Ciência sem Fronteiras com foco em inteligência artificial, engenharia e soberania

Segundo fontes do Ministério da Educação, o novo programa de bolsas no exterior prevê três grupos de beneficiários. Ainda não há número de vagas nem orçamento definidos.

Redação MNBrasil2 min de leitura
Governo Lula prepara recriar o Ciência sem Fronteiras com foco em inteligência artificial, engenharia e soberania
Foto: Reprodução

O novo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estuda recriar o programa Ciência sem Fronteiras, que funcionou de 2011 a 2017. Segundo fontes do Ministério da Educação (MEC), a nova versão deve priorizar inteligência artificial, engenharia e matemática aplicada, além de pesquisas ligadas à defesa e à soberania nacional. A proposta, que havia sido mencionada na campanha, passou a ser detalhada no ministério logo depois da reeleição.

Como seria o novo modelo

O desenho em estudo prevê bolsas para três grupos. O primeiro reuniria estudantes que vencerem competições e olimpíadas nacionais, com financiamento das viagens para as etapas internacionais. O segundo seria de universitários que queiram cursar parte da graduação no exterior em engenharia, matemática aplicada, inteligência artificial e eficiência energética.

O terceiro grupo seria de estudantes e pesquisadores de mestrado, doutorado e pós-doutorado, em modalidades de intercâmbio conhecidas como sanduíche, em que parte da formação ou da pesquisa é feita em instituição estrangeira. Nesse caso, o foco seria em áreas ligadas à defesa e à soberania, como os minerais de terras raras. Inicialmente, a ideia é não haver limite de renda para a seleção.

Orçamento e histórico

Ainda não há informação sobre quantos jovens seriam atendidos nem sobre o orçamento do programa. O desafio será encaixá-lo em um orçamento que deve ficar apertado diante de outras iniciativas onerosas da pasta, como a universalização do Pé-de-Meia, que custou cerca de R$ 11,5 bilhões só neste ano.

O programa original, criado no governo de Dilma Rousseff (PT), levou cerca de 100 mil estudantes de graduação ao exterior. Os Estados Unidos foram o principal destino, com cerca de 30 mil bolsas, seguidos por Reino Unido, Canadá, França e Austrália. O governo federal investiu cerca de R$ 13 bilhões entre 2011 e 2017, segundo dados da Capes.

Especialistas ouvidos já apontavam críticas ao modelo anterior. O ex-presidente da Capes Abílio Baeta Neves afirmou que, para cumprir a meta de 100 mil bolsas, os destinos foram flexibilizados. O professor Leandro Tessler, da Unicamp, disse que o programa não tinha objetivo claro e que muitos estudantes não conseguiam validar os créditos cursados no exterior. Para ele, um eventual retorno precisaria prever convênios com instituições brasileiras e exigências de desempenho.

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