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DESFILE DA INDEPENDÊNCIA

Governo diz que 70 mil foram ao 7 de Setembro, mas não explica como contou

A Secom anunciou um público 56% maior que o de 2025 sem informar a metodologia. O GDF esperava 30 mil pessoas, e a proibição de drones da imprensa impede qualquer conferência independente na Esplanada.

Redação MNPolítica3 min de leitura
Governo diz que 70 mil foram ao 7 de Setembro, mas não explica como contou
Foto: Ministério da Notícia

O desfile cívico-militar de 7 de Setembro reuniu 70 mil pessoas na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, segundo a Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom). O número, divulgado ao fim da cerimônia desta segunda-feira (7), é 56% maior do que as 45 mil pessoas que o próprio Planalto informou no ano passado.

O governo não explicou como chegou a esse total. Sem os critérios de contagem, não há como conferir a estimativa oficial de forma independente.

A dúvida cresce porque o Palácio do Planalto proibiu que veículos de imprensa usassem drones na área do desfile, restrição justificada por razões de segurança e repetida a cada ano. As imagens aéreas existem e ficam com a Secom, que não as divulga — e é justamente esse material que permitiria calcular a ocupação real da Esplanada.

O número oficial e a expectativa do GDF

Antes da cerimônia, o Governo do Distrito Federal trabalhava com a previsão de 30 mil presentes. O total anunciado pelo Planalto horas depois ficou 133% acima dessa expectativa.

A série dos últimos anos também não acompanha o salto. Em 2023, primeiro 7 de Setembro do terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), estimativas da imprensa feitas a partir de fotos, vídeos e acompanhamento no local apontaram 25 mil pessoas — abaixo das 30 mil que o governo esperava. Em 2024, o público foi calculado em 20 mil pela mesma metodologia. Em 2025, o Planalto passou a divulgar o próprio número, 45 mil, sem informar como o obteve.

Os registros em vídeo dos dois últimos desfiles mostram ocupação semelhante das arquibancadas e do gramado, sem diferença proporcional ao aumento anunciado.

Como foi a cerimônia

O desfile começou às 9h, com o mote "A Força que Une o Brasil" e três eixos temáticos: soberania nacional, combate ao feminicídio e a Copa do Mundo Feminina de 2027. A vacinação também entrou na programação, com a presença do Zé Gotinha.

A abertura coube a alunos da rede pública. Na sequência desfilaram as tropas a pé das Forças Armadas, da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal, o bloco motorizado com viaturas, o Batalhão de Polícia do Exército e as tropas montadas. O encerramento ficou com a Esquadrilha da Fumaça e aeronaves da Força Aérea Brasileira.

Lula e a primeira-dama Janja percorreram a Esplanada no Rolls-Royce presidencial conversível, cena que o governo associa ao discurso de soberania. Ao fim do desfile, o presidente foi cumprimentar apoiadores, como havia feito no ano passado.

Quem estava na tribuna, e quanto custou

Acompanharam a cerimônia o presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, e os presidentes da Câmara e do Senado, Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), além de 29 ministros de Estado. O ministro Alexandre de Moraes, do STF, não compareceu.

A organização do 7 de Setembro custou R$ 5,74 milhões, valor 33,2% maior que o de 2025 e 33,5% acima do de 2024. Em ano eleitoral, a cerimônia foi montada em tom mais contido, para evitar questionamentos no Tribunal Superior Eleitoral.

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