Governo da Bolívia prende procurador-geral após sanções dos EUA
Roger Mariaca foi detido no Aeroporto de Viru Viru dias após perder o visto diplomático americano por suspeitas de corrupção e narcotráfico.

A crise institucional e política na Bolívia registrou um novo desdobramento nesta semana com a prisão do procurador-geral do Estado, Roger Mariaca. A captura aconteceu no Aeroporto Internacional de Viru Viru, na cidade de Santa Cruz, apenas dois dias após o governo dos Estados Unidos revogar o visto diplomático do chefe do Ministério Público sob graves acusações. O governo do presidente Rodrigo Paz Pereira confirmou oficialmente a detenção nesta quinta-feira durante pronunciamento das autoridades de segurança do país.
O ministro do Governo, Marco Antonio Oviedo, detalhou que a operação policial resultou na prisão de 14 pessoas no total. Entre os detidos estão quatro procuradores, além de funcionários do Ministério Público das regiões de Santa Cruz e La Paz. As autoridades apontam que a cúpula do órgão formava uma organização criminosa voltada para a proteção de atividades ilícitas e redes ligadas ao narcotráfico.
Durante as diligências realizadas na madrugada, a polícia interceptou uma ambulância que retirava grandes somas de dinheiro da residência de Roger Mariaca em Santa Cruz. Os agentes encontraram maços de moeda local e dólares escondidos nos compartimentos do veículo de socorro. Segundo o Ministério do Governo, os valores recolhidos somam mais de 3,5 milhões de bolivianos e 10 mil dólares em espécie, recursos que seriam fruto de extorsão contra cidadãos.
Operações e repercussão no sistema judicial
A ofensiva incluiu mandados de busca e apreensão na sede central da Procuradoria, em Sucre, além de escritórios em La Paz e Santa Cruz. Alberto Zeballos, procurador do departamento de Santa Cruz e outro funcionário que também havia sido sancionado por Washington, foi igualmente detido pelas forças de segurança durante as ações coordenadas.
O governo boliviano associou o esquema criminoso ao financiamento dos recentes protestos e bloqueios de rodovias que paralisaram o país. Conforme a administração nacional, o dinheiro desviado por meio de extorsões e subornos serviu para bancar 53 dias de paralisações, intimidação de cidadãos e confrontos que marcaram o período de instabilidade anterior no território boliviano.
A prisão gerou reações divergentes nos bastidores jurídicos e políticos da nação sul-americana. Membros da Procuradoria-Geral protestaram contra a medida e classificaram a captura de Mariaca como um sequestro institucional executado sem o devido rigor legal, enquanto o governo defendeu a necessidade de apurar com transparência os fatos e cumprir acordos internacionais de combate ao crime transnacional.
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