Google fecha acordo para pagar por redução de consumo de energia e abrir espaço para data centers nos EUA
O acordo com a Voltus cria uma usina virtual na rede PJM, com até 1.070 megawatts de capacidade, obtida por incentivos a residências e empresas que consumirem menos em horários de pico.

O Google anunciou nesta sexta-feira (23) um acordo com a Voltus para criar o que o setor chama de "usina virtual" na PJM, uma das principais redes elétricas dos Estados Unidos, que abrange 13 estados do Meio-Atlântico e atende 67 milhões de pessoas. A Voltus fornecerá ao Google até 1.070 megawatts de capacidade elétrica quando necessário, aproximadamente o equivalente à produção de um grande reator nuclear.
Como funciona
A eletricidade não virá de novas usinas. A Voltus firmará acordos com residências e empresas e oferecerá incentivos financeiros para que reduzam o consumo quando a demanda local estiver elevada ou a rede estiver sob pressão. Muitas dessas reduções poderão ocorrer automaticamente, por meio de termostatos inteligentes que diminuem a intensidade do ar-condicionado nos horários de pico do verão ou de baterias capazes de fornecer energia temporariamente no próprio local.
Cada medida libera apenas uma pequena quantidade de eletricidade. Ao reuni-las em milhares de residências e empresas, a Voltus afirma que consegue disponibilizar, de forma confiável, uma grande capacidade adicional justamente quando ela é mais necessária, e em poucos anos.
Contexto
As empresas de tecnologia enfrentam dificuldade para encontrar eletricidade suficiente para os data centers de inteligência artificial e têm explorado alternativas, como reativar antigas usinas nucleares e instalar motores a gás fora da rede. Os novos data centers também enfrentam resistência de eleitores nos EUA, em parte pelo temor de que sobrecarreguem as redes locais ou elevem os preços da eletricidade. Na PJM, os preços da energia dispararam desde 2024, à medida que a expansão dos data centers superou a construção de novas usinas.
Ellen Zuckerman, responsável pelo desenvolvimento de mercados de energia do Google para as Américas do Norte e do Sul, disse que as usinas virtuais são "uma solução crucial no curto prazo". Segundo ela, é uma forma de investir nas comunidades em que a empresa atua e atender à demanda por capacidade com rapidez. O Google não divulgou os termos financeiros do acordo.
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