Protestos contra o custo de vida na França reúnem 320 mil e terminam em confrontos, com público menor que nas semanas anteriores
Atos deste sábado (31) reuniram 320 mil pessoas no país, 70 mil delas em Paris, segundo o Ministério do Interior. Houve gás lacrimogêneo em Lyon e Toulouse e confrontos com a polícia de choque em Paris.

Os protestos contra o custo de vida e a precariedade dos serviços públicos realizados neste sábado (31) na França terminaram em confrontos entre manifestantes e forças de segurança em Paris, Lyon, Toulouse e Marselha. Segundo o Ministério do Interior francês, 320 mil pessoas participaram dos atos em todo o país, sendo 70 mil em Paris.
Adesão menor que nas semanas anteriores
O número representa queda em relação aos 410 mil manifestantes registrados em 24 de outubro e aos 550 mil de 17 de outubro, de acordo com os dados do ministério.
Confrontos e policiamento
Em Paris, a polícia de choque avançou para dispersar pequenos grupos de manifestantes. A polícia usou gás lacrimogêneo em Lyon, terceira maior cidade do país, e em Toulouse. Em Marselha, houve tensão no encerramento de manifestações que não tinham sido autorizadas.
O Ministério do Interior afirmou, em comunicado, que "elementos radicais" com intenção de promover vandalismo e saques tentaram se separar das marchas em Bordéus, Toulouse, Lyon e Marselha, mas foram contidos pelas forças de segurança. As autoridades também disseram ter encontrado, em verificações em estações ferroviárias e rodovias, pessoas com objetos que poderiam ser usados como armas. Os atos ocorreram sob esquema reforçado de segurança, duas semanas depois de uma onda de distúrbios e saques que destruiu lojas, prédios públicos e empresas em diferentes partes do país.
Quem protestou e por quê
As marchas reuniram estudantes, sindicatos e integrantes do movimento dos Coletes Amarelos, que protestam contra o preço dos combustíveis, a inflação e a gestão do presidente Emmanuel Macron. O líder da esquerda radical Jean-Luc Mélenchon esteve à frente da manifestação em Paris.
Os protestos ganharam força no fim de setembro, quando o governo minoritário de Macron iniciou as negociações do orçamento de 2027. Estudantes insatisfeitos com a piora das escolas, a superlotação das salas e o sistema de admissão universitária, considerado injusto por parte dos jovens, foram os primeiros a sair às ruas, seguidos por sindicatos e pelos Coletes Amarelos.
Pressão sobre o governo
Os atos ocorrem em momento de fragilidade para o governo. Na sexta-feira (30), a agência de classificação de risco Fitch revisou para negativa a perspectiva da dívida francesa, que está próxima de 120% do PIB, e os custos de empréstimo estão em alta. Segundo a Câmara de Comércio, os prejuízos do varejo nos distúrbios das semanas anteriores passam de 1 bilhão de euros. As manifestações inspiraram protestos de jovens da chamada Geração Z em outros países europeus: neste sábado, houve atos em cidades da Alemanha e da Itália.
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