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TSUNAMI METEOROLÓGICO

Falta de dados limita monitoramento de tsunamis meteorológicos no Sul

Rede reduzida e ausência de séries históricas impedem calcular frequência de ondas extremas na costa de Santa Catarina.

Redação MNTecnologia3 min de leitura
Falta de dados limita monitoramento de tsunamis meteorológicos no Sul
Foto: Ministério da Notícia

Um tsunami meteorológico atingiu a costa sul de Santa Catarina em 21 de setembro, sendo registrado por moradores, câmeras e equipamentos em ruas, veículos e embarcações. As imagens feitas por pessoas na região ajudaram pesquisadores a identificar o momento do fenômeno e a direcionar a análise dos dados oficiais. Apesar da maior disponibilidade de registros visuais atualmente, ainda não é possível determinar com que frequência esses eventos ocorrem no litoral brasileiro. A carência de séries históricas e a quantidade limitada de equipamentos dificultam a identificação de tendências e avaliações sobre possíveis mudanças.

A ausência de registros prolongados também impede afirmar que o fenômeno seja inédito ou recente, podendo ter ocorrido em décadas anteriores sem documentação. O professor Mauro Michelena, da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), aponta que o monitoramento por marégrafos no litoral catarinense possui cerca de uma década. Em um estado com pouco mais de 560 quilômetros de litoral, a rede de sensores pertence principalmente à Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina. Esses equipamentos foram fundamentais para identificar ocorrências em novembro de 2023 e em 21 de setembro deste ano.

A configuração atual da rede voltada para registros de hora em hora limita a capacidade de acompanhar um evento que surge e se dissipa em minutos. Modelos científicos de estudo exigem registros de várias décadas ou mais de cem anos para validação adequada. O avanço da ocupação costeira nas últimas décadas e a ampla captação de imagens por celulares mudaram o cenário recente de observação. Diante disso, informações oficiais precisam ser complementadas por relatos de pescadores e moradores locais próximos à costa.

Desafios na previsão e características da costa

O litoral sul de Santa Catarina possui trechos bastante expostos ao oceano e sofre forte influência de sistemas atmosféricos formados perto da costa. A região recebe ondas de alta energia vindas do sul do Atlântico, criando condições intensas no mar que exigem cautela constante. Na segunda-feira, pesquisadores da Univali precisaram interromper a instalação de sensores em alto-mar e retornar antes do previsto devido aos riscos provocados pela frente fria associada.

O conhecimento tradicional acumulado por pescadores continua sendo uma fonte relevante de informações sobre o comportamento marinho na região costeira. No entanto, as alterações no oceano e na atmosfera fazem com que o mar já não se comporte como antigamente, exigindo adaptação gradual dessas comunidades. O professor Mauro Michelena ressalta que o aumento na quantidade de dados é um requisito obrigatório para entender o problema antes de tentar previsões.

A estruturação de uma rede mais ampla com registros frequentes poderá viabilizar no futuro o desenvolvimento de sistemas específicos de alerta. O Brasil já opera mecanismos consolidados de aviso prévio para deslizamentos de terra e chuvas intensas em diversos estados. Novas etapas de pesquisa dependem de investimentos na expansão da infraestrutura tecnológica para monitorar eventos extremos de origem oceânica.

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