Ex-policial militar é condenado a trinta anos de prisão no Rio
Justiça considerou que agente matou dois jovens após confundir macaco hidráulico com fuzil na Pavuna

Um ex-sargento da Polícia Militar do Rio de Janeiro foi condenado a trinta anos de prisão em regime inicialmente fechado. Carlos Fernando Dias Chaves recebeu a sentença após julgamento que durou mais de quinze horas ininterruptas. A decisão foi emitida pelo Conselho de Sentença do IV Tribunal do Júri da Capital. O crime aconteceu em outubro de 2015 na zona norte da cidade. O réu perdeu definitivamente o cargo na corporação policial.
O caso ocorreu na Rua Ary Villar, localizada no bairro da Pavuna. As vítimas eram Jorge Lucas de Jesus Martins Paes, de dezessete anos, e Thiago Guimarães Dingo, de vinte e quatro anos. Os dois jovens estavam em uma motocicleta prestando ajuda a um motorista de Kombi. Eles transportavam um macaco hidráulico que seria utilizado para realizar um conserto no veículo. O policial militar confundiu o equipamento com um fuzil e efetuou os disparos.
Versões divergentes e condenação
A acusação apontou que as vítimas foram atingidas pelas costas sem chance de defesa. A Defensoria Pública e o Ministério Público do Rio contestaram a versão de confronto armado apresentada pela guarnição. Um registro de ocorrência foi elaborado cerca de três horas depois do fato para sustentar a tese de resistência. O julgamento acolheu integralmente a tese de dolo direto com intenção de matar. O réu já estava preso provisoriamente por outro processo.
A juíza Lúcia Glioche destacou em sua sentença a gravidade da conduta do agente de segurança. A magistrada pontuou que o policial recebeu treinamento específico do Estado para atuar com respeito estrito à vida humana. Segundo a decisão, o cometimento de crimes violentos demonstra desprezo pelas normas funcionais. A defesa do ex-policial pode interpor recurso contra a condenação imposta pelo tribunal.
Mães das vítimas prestaram depoimento durante a sessão que terminou na madrugada de quinta-feira. Márcia Machado Guimarães Dingo relatou que a primeira filha de Thiago nasceu meses após o crime. O réu confirmou durante o processo que os jovens não atiraram contra a equipe. Ele admitiu o erro logo após a ocorrência e se apresentou na delegacia de Irajá na época. Moradores realizaram protestos na região com queima de pneus após as mortes.
A tramitação judicial do caso se estendeu por onze anos até a conclusão do julgamento popular. A próxima etapa processual depende da eventual apresentação de recursos pela defesa técnica do condenado. O Ministério Público acompanha os desdobramentos para garantir o cumprimento da pena estabelecida. A prisão inicial do ex-sargento era provisória, e agora passa a vigorar em regime fechado conforme a nova decisão.
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