Ex-candidata à Presidência do Equador Luisa González é presa em investigação por lavagem de ativos
A polícia deteve a ex-candidata de esquerda, investigada por suposto financiamento irregular da campanha de 2023. O partido dela fala em detenção política; em janeiro, ela negou ter recebido dinheiro da Venezuela.

A polícia do Equador prendeu nesta quinta-feira (22) a ex-candidata de esquerda à Presidência Luisa González, do movimento Revolução Cidadã. Ela era investigada desde janeiro por um suposto financiamento irregular, procedente da Venezuela, à sua campanha em 2023, na eleição em que Daniel Noboa foi eleito presidente.
O que diz o Ministério Público
O Ministério Público informou que apresentaria nesta quinta acusações contra três pessoas investigadas por suposta participação no crime de lavagem de ativos. A Promotoria divulgou apenas as iniciais dos detidos, entre elas L.M.G.A., letras que coincidem com o nome completo de González.
Segundo o órgão, a investigação apura supostas irregularidades no financiamento político e no gasto eleitoral em publicidade durante a campanha de 2023, por inconsistências nas contribuições e na origem lícita dos recursos. O Ministério Público não explicou se esta é a mesma investigação iniciada em janeiro ou uma nova. A polícia, por sua vez, disse apenas que a ex-candidata "foi detida", sem detalhar os motivos.
A defesa e a reação política
Em janeiro, as autoridades fizeram uma busca na residência de González. Na ocasião, ela negou ter recebido dinheiro de origem venezuelana.
A presidente da Revolução Cidadã, Gabriela Rivadeneira, pediu a libertação da ex-candidata e disse que ela foi detida pelo governo de Noboa. O ex-presidente Rafael Correa (2007-2017), aliado do movimento, escreveu na rede social X: "Prenderam Luisa González. Já chega!". Correa vive na Bélgica e é considerado foragido pela Justiça equatoriana, que o condenou por corrupção.
Contexto eleitoral
Na eleição de 2023, Noboa venceu o segundo turno com 52% dos votos, contra 48% de González. Neste ano, ela tentou registrar candidatura à prefeitura de Manabí, reduto histórico da Revolução Cidadã, mas o pedido foi negado em setembro pelo Tribunal Contencioso Eleitoral, após objeção do partido governista ADN e do partido de direita Creo.
A Revolução Cidadã, maior partido de oposição do país, denuncia obstruções do governo para participar das eleições locais de novembro. O grupo foi inabilitado por nove meses em março, em razão de uma investigação do Ministério Público por suposta lavagem de ativos.
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