EUA enviam centenas de soldados para treinar com forças locais na América Latina, diz imprensa americana
Um batalhão de 600 militares da 10ª Divisão de Montanha começou a se deslocar para o Panamá. O comando americano diz que as operações contra o tráfico podem passar dos ataques a embarcações para alvos em terra.

Os Estados Unidos estão enviando centenas de soldados para atuar na América Latina, no contexto da campanha do presidente Donald Trump contra o tráfico de drogas. As informações são de autoridades militares americanas ouvidas pelo jornal The New York Times, segundo reportagem do Metrópoles publicada nesta quinta-feira (15). A fonte não traz manifestações oficiais de governos latino-americanos.
O deslocamento
Um batalhão de 600 soldados da 10ª Divisão de Montanha, sediada em Fort Drum, em Nova York, teria começado a se deslocar para um centro de treinamento na selva do Panamá. Centenas de soldados da mesma divisão também devem integrar um novo comando para operações no Hemisfério Ocidental, com sede em Miami.
As tropas devem treinar com forças locais na Colômbia e em Honduras, e participar ainda neste mês do exercício Southern Vanguard, na Colômbia. Segundo a reportagem, apenas alguns países, entre eles Colômbia e Honduras, concordaram formalmente com operações conjuntas. Drones MQ-9 Reaper foram transferidos da África para a Colômbia e o Equador, e cerca de 50 militares e agentes da lei dos EUA participaram, na semana anterior, de operações com a polícia equatoriana contra uma suposta rede de cocaína ligada a um cartel mexicano.
A missão
As tropas podem apoiar forças de Operações Especiais dos EUA que aconselham exércitos em ações contra suspeitos de tráfico. O general Francis Donovan, chefe do Comando Sul, afirmou que as operações podem passar de ataques a embarcações para alvos em terra. Segundo o The Wall Street Journal, drones, incluindo barcos não tripulados capazes de lançar quadricópteros, atuarão em rios e no interior da selva. O secretário de Defesa, Pete Hegseth, criou um escritório para supervisionar as operações contra cartéis.
Balanço dos ataques
Desde o início da campanha, os militares americanos fizeram ao menos 71 ataques a embarcações no Caribe e no Pacífico Oriental, que mataram pelo menos 239 pessoas. Os EUA afirmam que eram traficantes, mas não apresentaram provas.
Avaliação de especialista
Adam Isacson, do Escritório de Washington para Assuntos Latino-Americanos, disse não se lembrar de um destacamento americano dessa dimensão na região, exceto em invasões ou em respostas a desastres.
E o Brasil
O Brasil participou da Panamax 26, exercício realizado de 3 a 13 de agosto no Panamá com outros 17 países, e do Exercício Formosa 2026, de 3 a 25 de setembro no Distrito Federal e entorno, com militares dos EUA, da França e do Paraguai. A reportagem não menciona a Venezuela.
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