EUA e Austrália suspendem atendimento em embaixadas no Brasil a dois dias da eleição
Os dois países citaram questões de segurança, mas não disseram qual é a ameaça. O Itamaraty afirma que não foi avisado antes e que nada no país justifica a medida.

Os Estados Unidos e a Austrália suspenderam nesta sexta-feira (2) o atendimento presencial em suas representações diplomáticas no Brasil, alegando questões de segurança. A medida foi tomada a dois dias do primeiro turno das eleições gerais, marcado para domingo (4).
Nenhum dos dois governos explicou qual seria a ameaça. Também não há data para a volta do atendimento.
O que fecha
Do lado americano, a suspensão vale para os serviços consulares da Embaixada em Brasília e dos quatro consulados no país: São Paulo, Rio de Janeiro, Recife e Porto Alegre. O alerta foi publicado pela missão diplomática na quinta-feira (1º) e passou a valer nesta sexta.
A orientação aos cidadãos americanos é não ir à embaixada, aos consulados nem a qualquer outro prédio diplomático dos EUA. Quem precisar de ajuda urgente deve ligar para o funcionário de plantão. Brasileiros com entrevista de visto marcada para o período também foram afetados.
A Austrália fechou a sua embaixada em Brasília pelo mesmo motivo, segundo aviso publicado nas redes oficiais da representação. Os australianos que precisarem de assistência foram orientados a procurar a central de emergência consular em Camberra, por telefone.
A ameaça que ninguém detalha
Antes do anúncio, os funcionários da embaixada americana em Brasília haviam recebido orientação por e-mail para trabalhar de casa nesta sexta, depois de a representação ter sido alvo de uma ameaça. A natureza dela não foi divulgada. Segundo a TV Globo, uma fonte do governo americano mencionou uma ameaça de bomba, sem deixar claro se o alvo era a embaixada ou outro ponto da capital.
Em nota, o Departamento de Estado disse apenas que a segurança dos cidadãos americanos é prioridade máxima e que trabalha em cooperação com as autoridades brasileiras para tratar do assunto.
Não há confirmação de que as decisões dos EUA e da Austrália tenham relação com o mesmo episódio.
O que diz o governo brasileiro
O Itamaraty não foi avisado com antecedência por nenhum dos dois países, de acordo com o Metrópoles. Fontes do ministério ouvidas pelo jornal afirmaram que não existe situação concreta em Brasília ou em outras cidades que justifique a medida, que consideram sem precedentes em período eleitoral.
A Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal informou que suas equipes de monitoramento não identificaram ameaça concreta nem risco iminente na cidade. Mesmo assim, a Polícia Militar reforçou o patrulhamento no entorno da embaixada americana, no Setor de Embaixadas Sul.
Susto na Esplanada na véspera
Na noite de quinta-feira (1º), parte da Esplanada dos Ministérios foi interditada depois que um homem tentou pular as grades em frente ao Supremo Tribunal Federal e deixou uma mochila em uma parada de ônibus próxima. A Polícia Militar descartou a presença de explosivos: dentro da mochila havia apenas roupas. Não há indicação oficial de ligação entre o caso e a decisão das embaixadas.
Alerta de viagem
No site oficial de orientação a viajantes, o governo australiano já recomendava a seus cidadãos alto grau de cautela no Brasil, por causa do risco de crimes violentos, e menciona a possibilidade de terrorismo. O aviso também prevê manifestações políticas e aglomerações antes, durante e depois da votação, com reforço nas medidas de segurança.
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