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ELEIÇÕES

Estudo da UFRJ e da More in Common analisou 7,4 mil missas e cultos antes do 1º turno e achou propaganda eleitoral em 3%

Pesquisa acompanhou transmissões de católicos, batistas e Assembleias de Deus nos dois domingos anteriores à votação. O levantamento provocou reação de religiosos, que questionam o monitoramento de cultos.

Redação MNBrasil3 min de leitura
Estudo da UFRJ e da More in Common analisou 7,4 mil missas e cultos antes do 1º turno e achou propaganda eleitoral em 3%
Foto: Ministério da Notícia

Um estudo da More in Common Brasil, feito em parceria com o grupo de pesquisa Passagens, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), analisou cerca de 7,4 mil missas e cultos transmitidos pela internet nos dois domingos que antecederam o primeiro turno das eleições. A pesquisa, chamada "Fé e voto", encontrou propaganda eleitoral em cerca de 3% das celebrações. O trabalho também gerou críticas de pessoas ligadas às igrejas, que questionam o monitoramento de cultos religiosos.

O que foi feito

Os pesquisadores acompanharam transmissões de igrejas católicas, batistas e da Assembleia de Deus em 25 estados e no Distrito Federal. O conteúdo foi gravado, transcrito e analisado. Segundo os autores, é a primeira vez que um levantamento desse tipo é feito no país e ele deve servir de base para pesquisas futuras.

O que os autores chamam de propaganda eleitoral

O estudo define como propaganda eleitoral as falas que promovem ou atacam uma candidatura, de forma direta ou indireta. Entram nessa classificação o pedido explícito de voto, a citação ou a bênção a candidatos e a indicação de campos políticos. Já o chamado tom cívico, que apareceu quase cinco vezes mais do que a propaganda, reúne falas contra a divisão social e a favor do voto consciente, sem indicar candidato nem campo político.

Os números

A propaganda eleitoral apareceu em cerca de 3% das missas e cultos. Entre as denominações, a Assembleia de Deus teve a maior incidência, 8,3% dos 2.075 cultos analisados, e concentrou 72% dos casos encontrados. Nas igrejas batistas o índice foi de 1,4% e nas católicas, de 0,7%. Nos casos de propaganda, as disputas para deputado, somadas, foram citadas o dobro de vezes que a presidencial.

O que dizem os pesquisadores

Pablo Ortellado, diretor-executivo da More in Common Brasil, atribuiu a menor incidência entre católicos e batistas à centralização administrativa e à orientação das convenções batistas. Ele descreveu práticas como avisos sobre panfletos na porta, convites para adesivar carros e bênçãos a candidatos presentes. O professor Rodrigo Toniol, da UFRJ, observou que, em alguns casos, as falas opõem "direita" e "esquerda" ou "cristãos" e "comunistas", sem citar nomes.

As críticas

O pastor Renato Vargens questionou a iniciativa e perguntou como os áudios foram obtidos e se os responsáveis pelas igrejas sabiam do monitoramento. Nas redes sociais, perfis religiosos e comentaristas disseram ver risco à liberdade de culto e de expressão, e outros apontaram que o mesmo tipo de levantamento não é feito em escolas e universidades. A Constituição garante a liberdade de crença e o livre exercício dos cultos. A lei eleitoral proíbe propaganda em templos, mas não trata de forma explícita do discurso religioso nas pregações.

O que ainda não se sabe

A amostragem usada além das transmissões e o número de celebrações por denominação, exceto na Assembleia de Deus, não foram detalhados nas reportagens consultadas. Até a publicação desta matéria não havia manifestação das convenções católica e batista sobre o estudo.

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