Engenheiro contamina água de colega com metal tóxico nos EUA
Vítima sofreu com queda de cabelo e vômitos por meses até flagrar colega despejando cádmio em sua garrafa com câmera escondida

Uma engenheira passou meses enfrentando problemas graves de saúde antes de descobrir que um colega de trabalho estava envenenando sua água com cádmio, um metal pesado altamente tóxico. O caso ocorreu na Califórnia, nos Estados Unidos, e envolveu os profissionais da empresa Berkeley Engineering and Research. A vítima, identificada como Rong Yuan, sofreu com quedas de cabelo e crises intensas de vômito a partir de 2017, período em que ingressou na companhia. Diante da piora física, ela buscou diversos tratamentos médicos e chegou a viajar para a China com suspeita de câncer de estômago. Enquanto a saúde da engenheira se deteriorava rapidamente, o agressor David Xu sugeria que ela trabalhasse de casa para melhorar. Em novembro de 2018, Xu enviou um e-mail no qual sugeria que a contaminação pudesse ser causada por mofo na sede da empresa. A situação mudou em janeiro de 2019, quando a mãe de Yuan notou um gosto azedo na água da garrafa da filha. Para esclarecer a situação, a engenheira comprou uma câmera escondida e instalou o equipamento perto de sua mesa de trabalho. As imagens obtidas em 4 de março registraram o momento exato em que Xu despejava uma substância na garrafa e retornava instantes depois para agitar o líquido. Yuan entregou o material para a polícia de Berkeley no mesmo dia da gravação. A investigação revelou que a concentração do metal pesado na água atingia a marca de três milhões e meio de vezes acima do limite federal de segurança. Exames laboratoriais também detectaram cádmio no sangue de Yuan e de seus pais, que consumiam refeições preparadas com aquela água pela mãe da engenheira.
Acordo judicial e liberdade condicional
David Xu foi preso em março de 2019, logo após a denúncia, e enfrentou acusações formais de tentativa de homicídio premeditado e envenenamento. Em setembro de 2023, o réu aceitou um acordo judicial que removeu a acusação mais grave de tentativa de homicídio do processo. Ele se declarou culpado por envenenamento na modalidade sem contestação formal dos fatos perante a Justiça. A sentença foi proferida em março de 2024 pela juíza Kimberly Colwell, que classificou o acordo como generoso e determinou dois anos de liberdade condicional para o ex-engenheiro. Na esfera financeira, Yuan solicitou quinhentos mil dólares em indenização, mas recebeu apenas sete mil e cinquenta e oito dólares. A redução ocorreu após um relatório da defesa contestar os efeitos prolongados da exposição ao metal pesado no organismo da vítima. A engenheira relata que continua lidando com sequelas debilitantes e não consegue retomar suas atividades profissionais em tempo integral. A liberdade condicional de Xu foi concluída em março de 2026, e ele agora tenta obter o cancelamento definitivo de sua condenação criminal. Os promotores do caso contestam a nova movimentação jurídica da defesa na tentativa de manter o histórico penal visível. Yuan expressa preocupação de que a anulação impeça futuros empregadores de identificarem o passado criminal do ex-colega em consultas de antecedentes. A engenheira resume o sentimento diante do desfecho judicial ao declarar que o sistema de justiça falhou na proteção de seus direitos.
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