Dívida pública dos EUA supera US$ 40 trilhões pela primeira vez
Crescimento foi impulsionado por cortes de impostos para ricos, tarifas de Trump e gastos com juros e conflitos

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante pronunciamento.
A dívida pública dos Estados Unidos ultrapassou a marca de US$ 40 trilhões pela primeira vez na história, impulsionada por cortes de impostos para os ricos, tarifas de importação do governo de Donald Trump e inflação gerada pelo conflito no Oriente Médio. O montante dobrou desde 2017 e cresceu US$ 1 trilhão em apenas cinco meses, superando previsões iniciais de analistas que apontavam essa marca apenas para 2027. Especialistas apontam que a situação decorre de menor arrecadação fiscal combinada com gastos elevados em juros e manutenção de despesas militares próximas a US$ 1 trilhão.
Os gastos com juros da dívida atingiram US$ 1,1 trilhão, valor que representa mais do que o dobro registrado em 2021, quando os juros consumiram US$ 419 bilhões dos contribuintes. A política de cortes de impostos para camadas de alta renda, característica das gestões republicanas, reduziu a arrecadação e concentrou a renda no país. Economistas destacam que a carga tributária estadunidense permanece em cerca de 25% do PIB, patamar inferior à média da OCDE, que é de 34%.
Apesar do volume expressivo do endividamento, economistas descartam risco imediato de insolvência do governo norte-americano, uma vez que o país emite a própria moeda e detém o dólar como principal reserva mundial. Dois terços da dívida estão em mãos domésticas, enquanto o Federal Reserve detém US$ 4,5 trilhões e o próprio governo possui US$ 8 trilhões. O mercado detém aproximadamente 100% do PIB em títulos, patamar similar ao registrado no final da Segunda Guerra Mundial.
Impacto dos juros e risco político
Analistas alertam que o principal ponto de atenção recai sobre o aumento dos juros cobrados pelos títulos do Tesouro e sobre o chamado risco Trump. A política agressiva da Casa Branca e os conflitos tarifários geram incertezas no mercado financeiro e levam países como China e Brasil a reduzirem a exposição a títulos estadunidenses. O rendimento dos títulos de longo prazo alcançou 5,33% em agosto, o maior patamar desde 2007.
O Escritório de Orçamento do Congresso dos Estados Unidos destacou que os gastos com juros continuam a pressionar o orçamento fiscal da potência econômica. Especialistas explicam que a desconfiança de parte dos investidores não ocorre pelo volume da dívida em si, mas pela postura da administração federal em relação a instituições autônomas e acordos comerciais. O uso de tarifas aduaneiras e sanções eleva a cautela de bancos centrais internacionais, que têm buscado alternativas como a compra de ouro.
Como reflexo do cenário fiscal, a Secretaria do Tesouro dos Estados Unidos comunicou a expansão das operações de compra de títulos no mercado, com previsão de dobrar de US$ 2 bilhões para US$ 4 bilhões a partir de 9 de setembro. Especialistas avaliam que a conjuntura fiscal da maior economia do mundo tende a influenciar taxas de juros em âmbito global, mantendo pressões inclusive sobre o Brasil.
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