Delcy Rodríguez diz que Venezuela vai oferecer ativos estatais ao setor privado e a antigos donos
A presidente interina afirmou que o governo avalia quais bens não essenciais do Estado podem ser oferecidos a empresas privadas ou devolvidos aos antigos proprietários. Ela também prometeu eleições, sem data.

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou nesta quinta-feira (29), em pronunciamento na televisão, que o governo vai oferecer ativos estatais ao setor privado e aos antigos proprietários. "Dei instruções para que os bens não essenciais detidos pelo Estado sejam avaliados a fim de determinar quais podem ser oferecidos ao setor privado ou devolvidos aos seus antigos proprietários. Esse processo já está bem avançado", disse.
Possível reversão de nacionalizações
A medida pode representar o primeiro passo para reverter as nacionalizações generalizadas ocorridas no governo de Hugo Chávez. Em abril, Delcy nomeou uma comissão para auditar e avaliar os ativos do Estado, incluindo infraestrutura de energia, eletricidade e mineração. A equipe trabalha na classificação desses bens desde então, segundo fontes. Nesta quinta, a presidente não deu detalhes sobre como o processo será conduzido.
As nacionalizações da era Chávez geraram mais de uma dúzia de ações de arbitragem internacional, a maioria ainda sem solução pelo governo venezuelano.
Petróleo, mineração e salário mínimo
Delcy disse que 44 contratos do setor de energia estão sendo negociados com base na nova lei petrolífera, aprovada em janeiro. Segundo o governo, 61 acordos petrolíferos já foram assinados, sem detalhes. Ela afirmou ainda que há negociações importantes em andamento na mineração, em especial de ouro, alumínio e ferro, e que o governo planeja quatro aumentos trimestrais do salário mínimo nacional em 2027.
Eleições e protestos
A presidente declarou que "haverá eleições, todas as previstas em nossa Constituição, organizadas por uma autoridade eleitoral renovada e com o mundo como testemunha", mas não anunciou data. Ela disse ter instruído os órgãos de segurança a não prender pessoas sem mandado e prometeu defender o direito ao protesto pacífico. Na semana passada, a Venezuela teve o primeiro protesto nacional da oposição em quase dois anos.
Delcy governa o país há quase dez meses, sob forte pressão dos Estados Unidos, que realizaram uma operação militar para capturar o ex-ditador Nicolás Maduro em janeiro.
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