Costa Rica leva os primeiros 123 detentos para megaprisão construída com ajuda de El Salvador
O Ministério da Justiça da Costa Rica informou que encarcerou os primeiros 123 presos no Centro de Alta Contenção contra o Crime Organizado, perto de San José. A unidade tem capacidade para 5.100 detentos.

O Ministério da Justiça da Costa Rica informou nesta terça-feira (27) que encarcerou os primeiros 123 detentos em uma nova megaprisão construída com a ajuda do governo de El Salvador, nos arredores da capital, San José.
A unidade
A prisão de segurança máxima, chamada pelo governo de Centro de Alta Contenção contra o Crime Organizado (Cacco), tem capacidade para 5.100 detentos, o equivalente a 20% da população carcerária do país. O governo da presidente Laura Fernández, de direita, que chegou ao poder em maio deste ano, apresenta a obra como símbolo de uma política de linha-dura contra o crime.
O governo divulgou imagens que mostram fileiras de detentos vestidos de laranja, sentados, com a cabeça raspada e baixa e as mãos atrás da nuca. As imagens reproduzem a prática adotada no Centro de Confinamento do Terrorismo (Cecot), megaprisão de El Salvador que virou símbolo da campanha do presidente Nayib Bukele. Bukele prendeu centenas de milhares de pessoas acusadas de integrar facções criminosas, e organizações internacionais afirmam que o processo atropelou direitos humanos e o devido processo legal.
O que diz o governo
"A Costa Rica está escrevendo um novo capítulo em sua história penitenciária", afirmou o ministro da Justiça, Gabriel Aguilar, em comunicado. "O Cacco é um monumento à segurança nacional, uma resposta contundente ao crime organizado e uma garantia de que o Estado exercerá sua autoridade sem hesitação."
Aguilar afirmou ainda que a nova unidade ajudará a reduzir a superlotação do sistema prisional.
O contexto da violência
Considerada durante muito tempo um dos países mais seguros da América Latina, e um dos poucos do mundo sem Forças Armadas, a Costa Rica registrou nos últimos anos forte aumento da violência ligada ao tráfico de drogas e ao crime organizado. Em 2023, o país atingiu número recorde de homicídios, embora os índices tenham se estabilizado desde então. As autoridades atribuem a maioria das mortes a disputas entre facções pelo controle de rotas e mercados do narcotráfico.
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