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DÍVIDA DA ARENA

Corinthians suspende pagamento de dívida da Arena e negocia quitação com a Caixa

Diretoria teve aval para não pagar parcela de R$ 28 milhões enquanto discute repasse de naming rights e outros ativos financeiros.

Redação MNEsportes3 min de leitura
Corinthians suspende pagamento de dívida da Arena e negocia quitação com a Caixa
Foto: Ministério da Notícia

A diretoria do Corinthians suspendeu o pagamento da terceira parcela da dívida pela construção da Neo Química Arena. A decisão ocorre enquanto o clube negocia a quitação total do estádio com a Caixa Econômica Federal. O aval para não quitar a prestação trimestral, vencida em setembro no valor de R$ 28 milhões, partiu dos próprios dirigentes do banco público. O clube já havia quitado as duas primeiras prestações do ano, totalizando R$ 56 milhões em repasses anteriores.

No entendimento interno da diretoria corintiana, a permissão para pular o pagamento da parcela atual representa um sinal positivo para o andamento das conversas. O projeto em discussão prevê que o Corinthians quite o saldo devedor da Arena, avaliado atualmente em R$ 630 milhões, por meio da cessão de direitos comerciais. A proposta central consiste em oferecer os naming rights do estádio diretamente à instituição financeira estatal. O contrato atual pertence à Hypera Pharma, que paga R$ 15 milhões anuais corrigidos pela inflação desde 2020.

A cúpula corintiana avalia que os naming rights do estádio valem cerca de R$ 70 milhões por temporada, valor muito superior ao contrato vigente. Para contornar a rescisão com a farmacêutica, o clube planeja transferir os direitos da Hypera para outras instalações, como o CT Joaquim Grava. O plano de quitação apresentado à Caixa também envolve o lançamento de títulos de capitalização, a migração da operação financeira do clube para o banco e a oferta de novos cartões para o programa Fiel Torcedor.

Reunião em Brasília e pedido de devolução de recursos

Em reunião recente realizada na sede da Caixa, em Brasília, os dirigentes corintianos solicitaram a devolução de R$ 27 milhões retidos na conta reserva. O montante faz parte das exigências previstas no contrato de renegociação assinado em 2022 durante a gestão do ex-presidente Duilio Monteiro Alves. A diretoria ainda aguarda uma resposta oficial do banco sobre a liberação desse dinheiro, considerado essencial para manter a operação diária diante da grave crise financeira institucional.

O endividamento total do Corinthians gira em torno de R$ 2,8 bilhões, e a diretoria aponta o financiamento da Arena como o principal motor do problema. O contrato atual estabelece dezembro de 2041 como prazo final para a liquidação total, com juros de 2% ao ano mais CDI e amortizações programadas. Desde a inauguração do estádio em 2014, o clube já desembolsou cerca de R$ 600 milhões para abater os custos de construção ao longo dos anos.

A discussão sobre a quitação ganhou força após declarações do presidente do Conselho Deliberativo, Romeu Tuma Júnior, que sugeriu o calote na dívida para priorizar outras áreas. O atual presidente tenta viabilizar o acordo enquanto enfrenta um cenário político delicado com eleições marcadas para 28 de novembro, pleito no qual tentará a reeleição. A expectativa interna é de que um desfecho definitivo sobre a negociação com a Caixa ocorra apenas após o término do pleito eleitoral no país.

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