Copom interrompe cortes e mantém a Selic em 13,75% ao ano, por unanimidade
O Comitê de Política Monetária do Banco Central manteve a taxa básica em 13,75% ao ano nesta quarta-feira (4), após cinco cortes seguidos de 0,25 ponto percentual. A decisão foi unânime e o comitê citou incertezas maiores e expectativas de inflação mais elevadas.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, nesta quarta-feira (4), manter a taxa Selic em 13,75% ao ano. A decisão foi unânime e interrompe o ciclo de cortes iniciado em março deste ano, no qual o comitê havia reduzido os juros em 0,25 ponto percentual cinco vezes.
O que diz o comunicado
Segundo o comitê, o cenário atual é "desafiador para a política monetária" e exige "serenidade e cautela" na condução. O texto descreve o contexto como de Selic "substancialmente contracionista", com "aumento significativo das incertezas em torno do cenário base", expectativas de inflação mais elevadas e desaceleração mais acentuada da atividade econômica doméstica.
O Copom afirmou que continuará acompanhando a evolução do cenário para manter a restrição adequada e assegurar a convergência da inflação à meta. Também avaliou que os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, seguem mais elevados que o usual, com assimetria altista.
Projeções revisadas
O comitê revisou a projeção de inflação acumulada em 12 meses no segundo trimestre de 2028, que passou a ser o horizonte relevante da política monetária, de 3,1% para 3,5%. O número fica 0,5 ponto percentual acima do centro da meta, de 3%.
Para o IPCA de 2026, a projeção subiu de 5,2% para 5,6%. Para 2027, passou de 3,9% para 4,7%. O comitê também ajustou as estimativas para os preços livres e os administrados. Para os administrados, a projeção de 2026 foi de 5,3% para 6,0%.
Expectativa do mercado
Às vésperas da reunião, o mercado estava dividido. Em levantamento com 75 casas, 39 projetavam corte da Selic para 13,50% e 36 esperavam a manutenção em 13,75%. A reunião foi a primeira após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e o segundo turno elevou o estresse nos mercados.
No boletim Focus divulgado na terça-feira (3), a mediana do mercado indicava Selic de 13,50% no fim de 2026 e de 12,50% no fim de 2027. A mediana para a inflação de 2026 subiu de 4,90% para 5,22% desde a reunião de setembro, acima do teto da meta, de 4,50%.
Antes do ciclo de cortes, o Banco Central havia mantido a Selic em 15% ao ano por dez meses seguidos, de junho de 2025 a março de 2026.
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