Conselho do Ministério Público rejeita investigação contra Paulo Gonet
Colegiado do MPF decide por maioria manter o procurador-geral da República na condução dos processos ligados ao Banco Master

O Conselho Superior do Ministério Público Federal rejeitou nesta sexta-feira a abertura de um procedimento de investigação contra o procurador-geral da República, Paulo Gonet. A decisão foi tomada por cinco votos a quatro durante sessão do colegiado que analisou menções ao nome do chefe do Ministério Público em conversas apreendidas pela Polícia Federal. O pedido para investigar e afastar Gonet do comando dos processos que envolvem fraudes no Banco Master havia sido apresentado pelo Partido Novo. Na mesma reunião, os conselheiros também decidiram manter o procurador-geral na condução dos processos da investigação de forma unânime, registrando placar de nove a zero contra o afastamento. As manifestações contrárias à abertura da investigação foram proferidas pelo relator do caso, Francisco Sanseverino, além dos subprocuradores Celso Albuquerque, Alexandre Camanho, Hidenbugo Chateaubriand e Nicolau Dino. Por outro lado, os votos favoráveis à investigação partiram dos subprocuradores Janice Ascari, Samantha Chantal Dobrowolski, José Adonis e Ana Borges Santos. Durante a análise dos argumentos, o subprocurador Hidenbugo Chateaubriand declarou que Gonet apenas poderia ser afastado pela Justiça e afirmou que não existem indícios de amizade íntima entre o chefe do Ministério Público e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A subprocuradora Ana Borges argumentou que a investigação sobre o Banco Master pode ser tratada como um escândalo de corrupção no setor financeiro e avaliou que havia elementos para autorizar a apuração criminal.
Origem das mensagens e contexto
As referências ao nome de Paulo Gonet vieram a público depois que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, retirou o sigilo de uma parte da investigação que continha mensagens enviadas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e atualmente preso. De acordo com o relatório da Polícia Federal, Vorcaro intensificou o envio de mensagens para um número atribuído ao ministro Alexandre de Moraes nos dias anteriores à prisão do ex-banqueiro, ocorrida no dia dezessete de novembro do ano passado. No dia quinze de novembro de 2025, Vorcaro manifestou preocupação com o avanço das apurações que tramitavam na primeira instância da Justiça Federal em Brasília e mencionou os nomes de Paulo Gonet e do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Nas mensagens apreendidas, o ex-banqueiro questionou se seria possível reverter a situação com a ajuda de Paulo ou Andrei. Apesar da citação explícita feita nas conversas do celular, a Polícia Federal registrou que não existem indícios de que Gonet e Andrei tenham interferido nas investigações em curso. Na semana passada, a imprensa publicou uma fotografia na qual Paulo Gonet aparece ao lado de Vorcaro e de outras pessoas ligadas ao ex-banqueiro durante um evento jurídico promovido pelo Banco Master em abril de 2024, na cidade de Londres. Após a divulgação das conversas e da imagem, o procurador-geral da República negou qualquer proximidade com Vorcaro e classificou sua interação com o ex-banqueiro como um episódio brevíssimo e banal.
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